Melhor marcador de três das últimas quatro edições da Premier League, prova em que soma 112 golos em 132 jogos, Haaland vai cumprir, aos 25 anos, a sua estreia na prova, depois de ter sido decisivo no apuramento perfeito dos nórdicos.
A Noruega venceu o Grupo I com o pleno de oito triunfos em oito jogos, dois dos quais face à Itália (3-0 em casa e 4-1 fora), com Haaland como grande figura, ao somar 16 golos, o dobro dos segundos melhores marcadores da qualificação europeia.
O avançado que começou no Bryne e passou ainda por Molde, Salzburgo e Borussia Dortmund, antes de chegar em 2022/23 ao Manchester City, garantiu, assim, que a Noruega voltaria a um Mundial, o que não acontecia desde 1998.
Haaland, que conta 55 golos em 49 internacionalizações pelos noruegueses, vai ser, certamente, uma das estrelas do Mundial de 2026, juntamente com o 'miúdo' espanhol Lamine Yamal, que vai fazer a sua estreia com apenas 18 anos.
O norueguês e o espanhol vão abandonar, assim, o indesejado grupo de jogadores de elite que nunca tiveram a oportunidade de disputar um Campeonato do Mundo, pelas mais variadas razões.
Alfredo Di Stéfano, George Best, Eric Cantona e Ryan Giggs serão os nomes mais marcantes, secundados por Valentino Mazzola, Duncan Edwards, Laszlo Kubala, Bernd Schuster, Ian Rush ou George Weah, sem esquecer os portugueses, casos de Peyroteo, o 'maior' dos 'cinco violinos', Fernando Chalana ou Humberto Coelho.
O maior de todos os ausentes é Di Stéfano, que foi 'Bola de Ouro' em 1957 e 1959 e é a grande referência da história do Real Madrid, tendo sido decisivo na conquista das primeiras cinco edições da Taça dos Campeões Europeus, entre 1956 e 60.
Nascido em 04 de julho de 1926, em Buenos Aires, e falecido em 07 de julho de 2014, em Madrid, foi melhor marcador dos campeonatos de Argentina, Colômbia e Espanha (cinco vezes) e internacional pelos três países.
Estas 'trocas', então permitidas, custaram-lhe a presença na fase final do Mundial de 1954, pois não lhe foi concedido jogar pela Espanha, que viria a falhar em 1958 e voltou em 1962, mas sem 'La Saeta Rubia', ausente devido a lesão.
No pódio dos ausentes também está o 'bad boy' George Best, que teve o 'azar' de nascer em Belfast, na Irlanda do Norte, em 22 de maio de 1946, para morrer em 25 de novembro de 2005, com apenas 59 anos, fruto de uma vida de excessos.
Considerado um dos melhores jogadores britânicos da história, o sempre irreverente Best encantou no Manchester United, numa relação que teve como ponto alto o título europeu conquistado em Wembley (1968), face ao Benfica.
Por diversas vezes, a Irlanda do Norte esteve perto da qualificação na 'era' Best, mas quando o conseguiu, em 1982, já era tarde demais para o então ex-número '7' do United, que, aos 36 anos, estava 'perdido' nos Estados Unidos.
Na preciosa lista de antigos '7' dos 'red devils', um outro jogador nunca esteve num Mundial, o francês Eric Cantona, jogador nascido em 24 de maio de 1966, há 60 anos, em Marselha.
Entre 1987 e 1995, Cantona representou a França por 45 vezes (20 golos), mas, ainda a atuar em 'casa', não foi eleito para o Mundial de 1990 e, quatro anos volvidos, os gauleses falharam o apuramento para o Mundial dos Estados Unidos.
Desta forma, o jogador que mais brilhou ao serviço do Manchester United na década de 90, com exibições e golos memoráveis, tanto quanto um pontapé, estilo 'kung fu', a um adepto, nunca pôde mostrar a sua arte num Mundial.
Vencedor de duas 'Champions' e 13 edições da Liga inglesa, também pelo United, Ryan Giggs, dono de um pé esquerdo notável, a que a bola se colava, antes de arrancar, para marcar ou assistir, nunca conseguiu, igualmente, disputar uma fase final.
Giggs, que terminou a carreira em 2013/14, foi vítima dos consecutivos falhanços do País de Gales, que, depois da presença de 1958, só se conseguiu apurar para a edição 2022. De resto, o antigo extremo até poderia ter marcado presença no Qatar, como selecionador, mas logo após qualificar a equipa galesa para a fase final, nos play-offs, decidiu deixar o comando da mesma, por estar envolvido num processo de violência doméstica - seria absolvido um ano depois.
A qualificação de Gales em 2022, permitiu a saída desta lista de Gareth Bale, já aos 33 anos, sendo que, se o ex-jogador do Tottenham e do Real Madrid ainda foi a tempo, outros nunca o conseguiram, como o compatriota Ian Rush, avançado que brilhou intensamente no Liverpool, equipa na qual atuava na mesma altura um guarda-redes que também nunca esteve, o zimbabueano Bruce Grobbelaar.
A nacionalidade explica igualmente as ausências do avançado liberiano George Weah, 'Bola de Ouro' e 'Jogador do Ano' da FIFA em 1995, do médio Abedi Pelé -- o Gana só se estreou em 2006 - ou do avançado finlandês Jari Litmanen.
Entre os grandes ausentes entram também duas vítimas de tragédias, de dois acidentes de avião: o italiano Valentino Mazzola perdeu a vida em Superga (1949), a um ano de poder brilhar no Mundial de 1950, e o inglês Duncan Edwards, de 21 anos, faleceu na sequência do desastre de Munique (1958).
Se uns não puderam, outros não quiseram, caso de Bernd Schuster, o brilhante médio da seleção alemã que, depois de encantar no Europeu de 1980, levando a RFA ao cetro, abandonou a 'Mannschaft' aos 24 anos, por desentendimentos com o selecionador e algumas das 'estrelas' da seleção.
