Didier Deschamps concedeu uma extensa entrevista à edição desta quarta-feira do jornal francês Ouest-France, na qual perspetivou o fututo de França, no Campeonato do Mundo, sem esquecer o passado. Mais concretamente... o Campeonato da Europa de 2016, na qual 'tombou' perante Portugal, na final disputada em pleno Stade de France.
"Eu não adoro falar de arrependimentos, mas sim de fortes decepções. 2016, em França, custou, porque já não conquistávamos um título desde 2000. Felizmente, vários jogadores mantiveram-se connosco até 2018", começou por afirmar, referindo-se ao título de campeão mundial conquistado em 2018, na Rússia, como resultado da vitória sobre a Croácia, por 4-2.
"A final de Doha [no Mundial2022, ante a Argentina, que culminou numa derrota, no desempate por grandes penalidades] também custou muito, porque sermos campeões do mundo era o nosso principal objetivo. Olhando para trás, as duas finais foram dolorosas, porque correram mal por pequenos pormenores", prosseguiu.
"Tomei conhecimento, numa reunião com a FIFA, de que o golo de Portugal [de Éder, na final do Euro2016] teria sido invalidado, se já houvesse VAR, devido a uma falta que teve lugar no início da jogada. Isso não muda o curso da história. Se eu tivesse de isolar uma, apontaria para 2022, porque foi uma ocasião desperdiçada à escala mundial", completou.
Portugal, recorde-se, conquistou o primeiro Campeonato da Europa da sua história em 2016, em pleno solo gaulês, numa caminhada que até nem começou nada bem, visto que só conseguiu apurar-se como terceiro classificado, com meros três pontos conquistados em outras tantas jornadas, menos dois do que Hungria e Islândia.
Daí em diante, foi um total... 'sofrimento'. A seleção então orientada por Fernando Santos deixou para trás a Croácia (nos oitavos de final, por 0-1, após prolongamento), a Polónia (nos 'quartos', com recurso ao desempate por grandes penalidades) e o País de Gales (nas 'meias', por um menos 'sufocante' 2-0).
Na final, realizada em Saint-Denis, levou a melhor sobre França, por 1-0, uma vez mais, com recurso a tempo extra, após o nulo que se verificou no final do período regulamentar. Foi já aos 109 minutos que Éder (que entrara para o lugar de Renato Sanches) 'disparou' do meio da rua, para o fundo da baliza à guarda de Hugo Lloris, para selar o resultado final.
"Não vou, subitamente, tornar-me num músico, num bailarino ou num patinador"
Nesta mesma entrevista, Didier Deschamps recusou 'levantar o véu' a propósito daquilo que pretende fazer, após o Mundial2026, quando abandonar o leme de França: "Não sei. Ainda não tomei uma decisão sobre o que virá a seguir. Sei que vai ser diferente e que vou sentir falta da seleção nacional.
"Não estou a descartar nada. Se isso significa que irei passar por um período inativo... Eu sei, em todo o caso, que vou manter-me envolvido com o futebol, seja de uma forma ou de outra. Há diferentes possibilidades. Não vou, subitamente, tornar-me num músico, num bailarino ou num patinador", atirou, em jeito de brincadeira.
"Verei depois da competição, ou seja, o mais tarde possível. Se preciso de uma pausa? Quando és selecionador, há períodos de descanso, especialmente, depois das grandes competições, mas, uma vez que estou em plena forma e que recupero rapidamente... De qualquer maneira, sou um privilegiado, porque tenho a oportunidade de escolher", rematou.
