Pode-se dizer que o Francesco Farioli venceu à José Mourinho contra o próprio. Foi com eficácia e sofrimento que o FC Porto venceu, na noite de quarta-feira, o eterno rival Benfica, no Estádio do Dragão, por 1-0, e garantiu uma vaga nas meias-finais da Taça de Portugal.
O Clássico, como já se previa, foi de emoções fortes, tensão e muitas disputas. E no final o FC Porto fez cair o rival Benfica, conseguindo aquilo que não tinha alcançado no campeonato, quando o encontro, que também teve lugar no Dragão, terminou sem golos.
A fórmula que o FC Porto utilizou para vencer este jogo já foi vista um pouco por essa Europa fora e posta em prática por José Mourinho. Farioli deve ter lido um ou outro guião sobre o treinador setubalense e tirou as devidas ilações. Foi com recurso a rigor tático, eficácia ofensiva e capacidade de sofrimento que os dragões conquistaram a vitória.
O Benfica, que há dias tinha visto fugir a hipótese de conquistar a Taça da Liga, até fez por justificar a ida a prolongamento, mas o golo de cabeça de Jan Bednarek foi suficiente para o FC Porto sair vitorioso. Aliado a isto, um desacerto ofensivo pouco comum de Pavlidis também não ajudou a mudar o curso da história.
O FC Porto segue, assim, de vento em popa rumo a mais um objetivo da época, ao passo que as águias falham mais um objetivo numa época já muito comprometida ainda em janeiro, quando a liderança do campeonato já está a dez pontos de distância.
Mas vamos às notas desta partida:
Figura
Jan Bednarek é o autêntico xerife desta equipa do FC Porto. Além de ter assumido o papel de líder da defesa, o central polaco tem assumido uma grande preponderância a nível ofensivo, sendo uma verdadeira ameaça aos adversários nas bolas paradas. Foi imponente na forma como ganhou a frente a Leandro Barreiro no lance do golo, acabando também por ser fundamental no controlo das ações de Pavlidis.
Surpresa
Tomás Araújo foi o jogador mais regular do Benfica nesta partida. Esteve quase sempre bem posicionado do ponto de vista defensivo e protagonizou muitos cortes importantes, quer na primeira parte, quer na segunda. Também deu um auxílio no ataque com dois remates quer serviram para assustar Diogo Costa.
Desilusão
Sidny Cabral foi titular pela primeira vez com a camisola do Benfica e não convenceu. Perdeu mais duelos do que ganhou e podia ter feito um pouco melhor quando, ao minuto 26, Prestianni lhe deixou um passe açucarado nos pés.
Treinadores
Francesco Farioli
Um FC Porto estratégico e eficaz bastou para sair vitorioso da partida. A exibição esteve longe de encher o olho, é verdade, mas há partidas em que é preciso sofrer e jogar um pouco mais feio para se alcançar os intentos. E foi isso que os dragões fizeram na partida.
José Mourinho
Ao contrário do que aconteceu no jogo para o campeonato, o Benfica fez por sair da partida com um resultado diferente. Contou com várias ocasiões para marcar, uma delas muito flagrante, mas num erro defensivo entregou o jogo. A consistência na construção de jogo não basta porque no futebol é preciso marcar e ser eficaz.
Arbitragem
Fábio Veríssimo sabia de antemão que ia ter um jogo de carácter de dificuldade elevado pela frente. Apesar disso, fez um jogo competente e assertivo, controlando o jogo quando este esteve numa fase de emoções mais fortes. Sem influência no resultado final.
