Erik ten Hag concedeu, esta terça-feira, uma extensa entrevista ao portal norte-americano The Athletic, na qual não poupou nas críticas tecidas a Cristiano Ronaldo, por tudo aquilo que aconteceu durante o (curto) período em que ambos trabalharam juntos, no Manchester United, entre agosto e novembro de 2022.
"Ele desiludiu a equipa e desiludiu-me, porque tínhamos feito planos com ele. Eu viajei para Portugal para falar com ele sobre aquilo que almejava, antes de vir para o Manchester United. Obviamente, ele é um dos melhores da história do futebol. Eu respeito-o muito, mas, naquela altura, como treinador, tinha de tomar uma decisão racional e manter dentro os jogadores que admirava", começou por afirmar.
"Eu confrontei-o com isto. Muitas vezes, disse-lhe 'Ronnie, toda a gente quer trabalhar para te colocar na posição certa, mas, se não consegues colocar-te na grande área, não consegues marcar'. Ele não era capaz de fazer isto. É uma ideia errada imputar-me que eu queria que ele fizesse a pressão, que estivesse exausto...", prosseguiu.
"Ele não conseguia fazê-lo. Ele não corria, nem em posse, nem sem posse de bola. O motivo era que ele não se preparava. Todas as equipas de topo têm de comprometer-se com o seu melhor jogador, mas o melhor jogador tem de trabalhar para a equipa", completou, antes de deixar uma 'feroz' acusação ao internacional português.
"Ele dizia aos jogadores 'Poupem as pernas nos treinos'. Eu percebo isto quanto estás na tua melhor forma. Tens sessão, podes poupar as pernas, mas, primeiro, tens de treinar para alcançar os níveis físicos certos (...). Os jogadores têm de agir, têm uma grande responsabilidade. O futebol não é, para alguns, a maior prioridade. E o Manchester United, para alguns, não era a maior prioridade", rematou.
"O Manchester United não manteve as promessas"
Nesta entrevista, o treinador neerlandês não se coibiu, ainda, de apontar o dedo à própria direção dos red devils: "Eu disse-lhes 'Preciso de mais um ano, e temos de fazer isto juntos'. Prometeram-me lealdade, prometeram-me apoio, prometeram-me comunicação e que nos iríamos alinhar. Falámos sobre os problemas, mas não mantiveram as promessas".
"O processo de aquisição [por parte de Sir Jim Ratcliffe] trouxe muito ruído, incerteza com as pessoas e disrupções. Houve a questão do 'manager' e do treinador, foi difícil de trabalhar, isso é claro. Foi muito complicado (...). Depois da primeira reunião, ele começou a falar sobre a estrutura do clube, como o 'manager' deveria ser o treinador principal. Eu disse 'OK, vamos falar, mas o meu contrato é diferente'. Nunca ouvi nada" atirou.
"Depois, em todas as conferências de imprensa, perguntavam-me se a estrutura deveria ser alterada. Eu quero sempre cooperar, num clube, não dá para fazeres isto sozinho. Precisas de encontrar uma estratégia sobre filosofia, sobre modelo de jogo, sobre perfil da equipa, sobre perfis individuais... Era a isso que estava habituado, mas, com eles, não havia comunicação", acrescentou.
"Disse-lhes 'Eu só quero um jogador, e vocês sabem qual'"
As críticas de Erik ten Hag ao Manchester United prolongaram-se ao 'modus operandi' no mercado de transferências, nomeadamente, ao facto de a direção ter recusado 'oferecer-lhe' os jogadores que pretendia, como era o caso de Harry Kane: "Disse-lhes 'Eu só quero um jogador, e vocês sabem qual'.
"Eu lutei por isso. Ouvi que ele estava muito otimista, mas nunca falei com ele sobre a questão. Não sei como é que se desenrolou o processo de decisão, entre o John [Murtough, diretor de futebol], o Richard [Arnold, diretor executivo] e os Glazers [a família proprietária]. Eles é que chegaram à conclusão. Não tenho conhecimento da parte financeira", lamentou.
O mesmo se aplicou a Frenkie de Jong: "Toda a gente pensa que é o treinador que faz as negociações, que eu estava envolvido nas questões financeiras, mas nunca estive. É claro que dei o meu melhor. Agendei reuniões com ele, nas quais o Richard e o John também estiveram envolvidos, para procurar que viesse. Poderia ter sido muito importante na construção da equipa".
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