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Crónica Explosiva: "Cristiano Ronaldo é a Picareta do Total Descaramento da FIFA" - Carlos Pereira



Donald Trump está para a política internacional como André Ventura está para a nacional. Qualquer pessoa íntegra e sem segundas intenções coíbe-se de surgir a seu lado, mas se, em Portugal, essa vergonha ainda vai inibindo certas e determinadas parcerias, lá fora, a FIFA teve o dom de perder todo e qualquer descaramento.


Manuel João Vieira sintetizou, em entrevista concedida à SIC Notícias, na perfeição, aquilo que é o presidente dos Estados Unidos da América (ou, pelo menos, aquilo que o próprio acha ser): "O tipo que faz telefonemas e acaba com coisas". A campanha tendo em vista a conquista do Prémio Nobel da Paz não enganou o Comité Norueguês do Nobel, mas Gianni Infantino não perdeu a oportunidade de se 'fazer ao piso'.

Naquele que foi um sorteio da fase final do Campeonato do Mundo de 2026 ao mais puro estilo norte-americano, com música, celebridades e purpurinas, o líder máximo da FIFA entregou em mãos o primeiro 'Prémio da Paz' da história do organismo àquele que diz ser "um líder que se preocupa com as pessoas".

Um 'reconhecimento' que surge, sensivelmente, duas semanas depois de Donald Trump ter recebido, na Casa Branca, Cristiano Ronaldo, que, tendo ou não consciência disso, está a tornar-se, aos poucos, na mais eficaz picareta que Gianni Infantino tem em mãos para quebrar resistências e transformar a FIFA numa 'arma' política.

Em 2023, a Arábia Saudita, empenhada em lavar de vez a imagem de desrespeito pelos direitos humanos que tem perante o resto do planeta, recrutou o internacional português, que, desde então, tem vindo a funcionar como o principal embaixador de um regime que, é sabido, tem sangue nas mãos.

Um serviço que, é preciso dizer, serve ambas as partes, visto que, se de um lado Mohammad bin Salman leva a cabo a sua operação de 'sportswashing', o jogador apanha uma via (mais do que) rápida rumo ao milésimo golo da carreira, ainda que não esteja em questão as impressionantes qualidades técnicas e físicas que mantém, aos 40 anos de idade.

Em menos de três anos, Cristiano Ronaldo conseguiu, quase sozinho, colocar a Arábia Saudita no panorama internacional como uma força a ter em conta, de tal maneira que foi sem grande surpresa que a FIFA acabou por atribuir-lhe a organização do Campeonato do Mundo de 2034, após a desistência da Austrália.

No entanto, a instrumentalização daquele que é um dos melhores (para não dizer o melhor) futebolista da história de Portugal não ficou por aqui. A Arábia Saudita, qual rei que entrega a mão da sua princesa ao príncipe do reino aliado, fez questão de o levar aos EUA, para que Donald Trump o pudesse exibir perante todos, até... o filho, Barron.

Se a maior superestrela do futebol mundial não vê problemas em sorrir ao lado de uma personagem como esta, como ousaria alguém detetar problemas? A picareta cumpriu, assim, uma vez mais a função de quebrar muros e abrir caminhos para que Gianni Infantino pudesse aproximar-se ainda mais de um dos seus mais recentes (e poderosos) aliados.

Isto pouco tem que ver com futebol, é verdade, mas é pena que Cristiano Ronaldo se preste a este tipo de serviços, assim como também o é que a FIFA tenha batido, provavelmente, no ponto mais baixo da sua história, algo que parecia impossível, precisamente, no ano em que se celebra o décimo aniversário do escândalo de corrupção conhecido como 'FIFAgate'.



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