Sérgio Conceição recorreu, esta segunda-feira, à conta oficial na rede social Instagram, para partilhar um comunicado no qual fez questão de 'colocar os pontos nos is' a propósito da tão badalada entrevista concedida, no passado fim de semana, ao podcast 'La Tripletta', do prestigiado jornal italiano Gazzetta dello Sport.
"Durante a minha entrevista ao pocast 'La Tripletta', da Gazzetta dello Sport, eu respondi a questões sobre a minha experiência na Arábia Saudita. Infelizmente, as minhas palavras foram mal interpretadas como críticas ao futebol saudita. Eu gostaria de deixar claro que nunca tive a intenção de demonstrar qualquer desrespeito para com os jogadores sauditas, muito menos para com a própria Arábia Saudita, um país que me acolheu e à minha família, e pelo qual tenho grande estima e respeito, tal como também enfatizei, durante a entrevista", pode ler-se.
"Eu nunca questionei a qualidades dos jogadores sauditas, nem nunca disse que os jogadores sauditas são 'maus'. A minha intenção era destacar as diferenças na maneira como o futebol é vivido e a abordagem de ser um futebolista na Arábia Saudita e da Europa. Estas são diferenças significativas, e eu expliquei o quão desafiante foi adaptar-me a certos aspetos deste ambiente, dada a minha própria perceção do papel de um treinador", prosseguiu.
"Ao mesmo tempo, foi uma experiência importante, que me deu a oportunidade de aprender e desenvolver uma perspetiva diferente, e também a maneira como entende os atletas e a sua abordagem ao futebol. Obrigado, Sérgio Conceição", completa a nota emitida pelo antigo internacional português, de 51 anos de idade.
Sérgio Conceição recorde-se, chegou à Arábia Saudita há, sensivelmente, um ano, para suceder a Laurent Blanc no comando técnico do Al-Ittihad Jeddah. A saída deu-se no passado mês de junho, após um ciclo de 22 vitórias, oito empates e 12 derrotas ao cabo de 42 jogos oficiais, em todas as competições.
Afinal, o que disse Sérgio Conceição?
Na origem deste esclarecimento por parte de Sérgio Conceição está um trecho específico da dita entrevista, no qual defendeu que "os jogadores locais não são exigentes": "Não o fazem nem por serem maus, nem por não quererem. É simplesmente uma questão de cultura. Não existe uma verdadeira cultura de exigência, de trabalho e de compromisso".
"Eles não têm essa mentalidade, e isso é difícil de gerir. Por vezes, certos jogadores não acompanham o ritmo, ou nem sequer aparecem nos treinos O futebol ainda não é considerado uma verdadeira profissão (...). Encontram sempre uma desculpa: um familiar que não está bem, ou a religião, com uma oração para fazer às 5h da manhã...", atirou.
"Se marcarmos uma sessão de treino a essa hora, alguns simplesmente não aparecem. Para mim, com a minha forma de ver as coisas, tudo isto é muito difícil de gerir. Realmente muito difícil. Esta experiência ensinou-me imenso", concluiu o antigo timoneiro do FC Porto, que se encontra, atualmente, livre de clube, depois de ter sido apontado como potencial sucessor... de Rui Borges, no Sporting.
