Treinador português do Real Madrid aplaudiu "fome" de Mbappé, autor de um hattrick frente à Real Sociedad, mas recusou entrar em comparações com Cristiano Ronaldo. Mourinho mostrou-se agradado com a exibição colectiva.
José Mourinho ficou deslumbrado com a exibição de Kylian Mbappé, que completou um hattrick na vitória do Real Madrid frente à Real Sociedad (4-1), em jogo em atraso da 1.ª jornada da La Liga, disputado na noite de quarta-feira. Em conferência de imprensa, o treinador português evitou, no entanto, entrar em comparações com Cristiano Ronaldo.
"Não gosto de comparar jogadores, mas este tipo é incrível. Fico muito feliz por ele ter feito história no Mundial, porque há 25 jogadores campeões do mundo, mas apenas um fica para a eternidade do futebol, aquele que tem mais golos e fez essa história. Tem muita fome de fazer história no Real Madrid. Vi uma equipa muito boa, tirando o Kylian, uma equipa muito boa, apesar das dificuldades da primeira parte, e soubemos ser uma equipa: esperar, ter tranquilidade, compactar... Conseguimos ter bola e, na segunda parte, dar uma velocidade a mais. Gostei muito da segunda parte", frisou Mourinho.
"Kylian é um jogador absolutamente incrível. Depois, se marcar 50 ou 60 golos, não sei. Eu prefiro 40, com muito trabalho para a equipa e títulos, do que 60 a pensar apenas em si próprio. Estou muito contente com ele, o grupo está a fazer a equipa crescer. Chegou dois dias antes do fim das férias, e isso é positivo. Deixei-o em campo os 90 minutos para ver se marcava quatro. Ao Vinícius, quando marcou, tirei-o", atirou, antes de abordar também a exibição do extremo brasileiro, que chegou a ser alvo de assobios.
"Já conhecemos isso e, graças a isso, a exigência existe por causa da história. O Real Madrid tem grandes jogadores, grandes equipas. Uma coisa é ser adepto e outra é ser jogador. Não peço que mudem os assobios por aplausos. Há sempre alguma justiça neles, as pessoas estavam frustradas. Uns quantos assobios não fazem mal a ninguém, também ajudam a crescer. Vai haver jogos que serão ganhos com dificuldades. Em Espanha há bons jogadores, boas equipas, que não têm medo de jogar contra equipas fortes; noutros países não se joga, defende-se. A Real jogou para ganhar", argumentou.
O Real Madrid soma, assim, duas vitórias em outros tantos jogos nesta nova temporada, mas Mourinho está longe de estar plenamente satisfeito. Convidado a revelar aquilo que menos gostou no Santiago Bernabéu, o técnico de 63 anos disse gostar de tudo.
“Não gosto de fazer o aquecimento ao intervalo, no intervalo quero todos dentro do balneário, por isso mandei-os sair mais cedo. Aos 35 minutos, os meus preparadores físicos já sabem que têm de pôr os jogadores a aquecer. Depois, decidi lançar o Cucurella pelo Carreras por causa do cartão amarelo: era perigoso devido ao um contra um com o Kubo. Gostei da equipa no momento do ‘não estávamos bem’, quando estivemos em dificuldades, porque não estamos preparados para outra coisa. A Real Sociedad criou-nos muitas dificuldades no meio-campo. Quando há dúvidas, não pode haver pânico. Havemos de ganhar o jogo. Por isso, gostei de tudo", rematou Mourinho.
O Real Madrid volta a entrar em ação no domingo com uma receção ao Málaga, em jogo da 3.ª jornada da La Liga, novamente no Santiago Bernabéu.
