Treinador português concedeu uma entrevista ao programa "El Chiringuito" e abordou vários temas quentes do Real Madrid. Mourinho disse não ter gostado das "dúvidas" de Rodri, que acabou no Barcelona, e desdramatizou que a polémica de Prestianni e Vinícius Júnior interfira na relação com o jogador brasileiro.
Bem ao seu estilo, não deixando nada por dizer. Foi assim que José Mourinho se apresentou em entrevista a Josep Pedrerol, no programa "El Chiringuito", emitido na noite de terça-feira. O treinador português abordou as sensações de estar de volta ao Real Madrid e foi confrontado com vários temas, entre os quais a preferência de Rodri pelo Barcelona e a polémica que envolveu Prestianni e Vinícius Júnior.
"Diria que tenho o mesmo ADN. Obviamente, não posso escondê-lo nem tentar ser algo que não sou. Tenho muito mais maturidade, sou menos emocional e mais controlado. Como sempre, aprendendo com os erros, mas sem me arrepender disto ou daquilo, porque acho que, na vida, arrependermo-nos de algo que já aconteceu não ajuda em nada. Aprender com as experiências, sim. Nesta profissão de treinador, penso que quanto mais experiência acumulamos, quanto mais ‘déjà vu’ temos, mais qualidade adquirimos", começou por dizer, antes de se debruçar sobre o caso de Rodri.
"Não, não me faz falta o Rodri. Temos soluções, temos qualidade, temos jogadores que, se calhar, olhas para eles e analisas pelo que já fizeram, mas eu gosto de pensar que tenho capacidade para melhorar os jogadores. Que um jogador que hoje é este, amanhã possa ser um jogador diferente", frisou, revelando o que conversou com o jogador.
"Falei com ele algumas vezes e o Real Madrid fez-lhe uma proposta muito boa. Penso que existe uma relação muito boa com o City. Sem negociar com o City, o clube teve contactos com o Rodri e fez-lhe uma proposta importante. O Rodri teve dúvidas, hesitou... e essas dúvidas do Rodri criaram dúvidas em mim. É um jogador extraordinário e foi muito correto connosco, não tenho nada de negativo a dizer. Mas o Real Madrid é de uma dimensão que não pode ter jogadores que pensem duas vezes. Fazes o contacto e o jogador pergunta-te: "Quando tenho de ir?". É um pouco esse o conceito. O Rodri foi muito correto connosco, desejo-lhe o melhor. Não demasiado bem, obviamente. Mas desejo-lhe o melhor", vincou.
Sobre Vinícius Júnior, jogador que renovou contrato depois de ter sido apontado como alvo do Arsenal, Mourinho destacou a "paixão" do brasileiro e garantiu que a polémica vivida na Luz, onde acusou Prestianni de racismo, está ultrapassada e que não será tema entre ambos.
"Obviamente que falei com ele, mas o Vinícius apaixonou-se pelo Real Madrid. A única coisa que lhe disse foi: 'Vini, para onde queres ir? Só estiveste no Brasil e só conheces o Real Madrid... Só conheces o Real Madrid quando sais. Quando sais... sabes o que é o Real Madrid. Não saias. Não vale a pena'. Acho que aquilo que ele sentiu relativamente ao crescimento do grupo, à forma como estávamos a trabalhar e a crescer, lhe deu um feeling muito importante. Este é outro jogador que dá prazer ver trabalhar. Temos muita qualidade", disse.
"O Prestianni era meu jogador, ponto final, não há discussão. Se o Prestianni é meu jogador... Podem vir 20 jogadores, que eu estou com o Prestianni, não há história. Acho que o Vini sabe disso agora, sabe de que lado estou e sabe que pode olhar para mim e contar comigo para estar ao lado dele. No outro dia, quando não lhe assinalaram um penálti tão claro como o Bernabéu, já estava no centro do campo a lutar por ele. Ele sabe que vou estar com ele", rematou o treinador luso.
