Miguel Cardoso: "Final Com Dois Portugueses É Sinal Da Nossa Qualidade"

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O Mamelodi Sundowns está a um passo de conquistar o nono título de campeão de forma consecutiva na África do Sul, o segundo sob a batuta de Miguel Cardoso. Mas além desta prova interna, o emblema sediado em Pretória tem pela frente nas próximas semanas um outro objetivo: a conquista do título continental.


O Mamelodi Sundowns está na final da Champions africana pela segunda vez seguida e vai em busca de repetir o título alcançado de forma inédita em 2016. Pela frente, Miguel Cardoso e companhia vão ter pela frente o FAR Rabat, de Alexandre Santos, numa final de competição com dois treinadores portugueses.

Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, Miguel Cardoso lançou esta final cuja primeira mão está agendada para o próximo domingo, 17 de maio, e na qual o vencedor vai suceder a Manuel José como segundo técnico português a vencer a Liga dos Campeões africanos.

Miguel Cardoso, de resto, chega a este jogo decisivo pelo terceiro ano seguido, depois das finais perdidas ao serviço do Mamelodi e do Esperánce de Tunis, da Tunísia.

"Atingir três finais seguidas de uma Liga dos Campeões é um feito ao alcance de muito poucos treinadores. Significa entrar num patamar extraordinário em termos de nível e de reconhecimento do trabalho efetuado. A diversidade de uma competição como a Champions tem, a qualidade das equipas, os desafios que são lançados ao longo da competição e a necessidade de estar em contextos de alta performance, e de ter performance nesses mesmos contextos, é de tal forma elevada que, acima de tudo, é um momento de grande satisfação e realização pessoal. É um marco em termos de carreira que ficará gravado para sempre. É a quinta final jogada, três Champions, uma final de Liga Europa com o Sporting de Braga e uma Youth League com o Shakhtar Donetsk. Agora três finais continentais de Champions é algo assinalável para um treinador que deixou Portugal para abrir portas de um contexto de excelência", começou por dizer o treinador português.

"É também uma enorme satisfação conseguir dar ao meu clube, que até há dois anos, tinha duas participações na Champions e nós, neste período, conseguimos fazer mais duas finais. É dar ao clube em retorno aquilo que foi o investimento num treinador que é o primeiro treinador estrangeiro da história do clube e também o primeiro estrangeiro campeão na África do Sul", acrescentou ainda.

Notícias ao MinutoMiguel Cardoso cumpre a segunda época no emblema sul-africano© Reprodução

O treinador, de 53 anos, recusa a ideia de que está final seja uma espécie de vingança pelas duas perdidas nos dois últimos anos, até porque guarda boas memórias das mesmas.

"Não há qualquer sentimento que tenha ficado do passado em termos de negatividade, pelo contrário. Em relação às campanhas da época passada com o Mamelodi Sundowns e da época anterior com o Espérance de Tunis, só tenho boas memórias e boas sensações. As finais são decididas por pormenores e foi ambas por um golo que não as ganhamos. Na verdade, dois percursos fantásticos, memórias inolvidáveis e a satisfação de ter atingido um patamar onde muito poucos conseguem esta", ressaltou o técnico.

"Sou muito mais de guardar as coisas boas que foram feitas do que, pronto, não é um detalhe, mas o facto de não ter ganho. Acho que o segundo, nestes casos, não é o primeiro dos últimos, é o segundo de toda uma imensidão de clubes e treinadores e jogadores que conseguiram estar naquele momento. Quantos treinadores não conseguem nunca atingir e viver um momento desses, nem estar em contextos que lhe permitam lutar por isso? Aí eu sinto-me acima de tudo um privilegiado e fico muito feliz por lá ter disputado duas finais e por ter oportunidade de disputar uma mais", atirou Miguel Cardoso, que terá pela frente o amigo Alexandre Santos.

"O Alexandre é um amigo, uma pessoa com quem fui falando ao longo da minha carreira e da carreira dele, não com muita frequência, mas em momentos chaves sempre fomos capazes de enviar uma mensagem um ao outro. É naturalmente com satisfação que eu vejo também o Alexandre a conseguir afirmar-se como treinador, depois do trabalho feito em Angola. Isso não me traz mais emotividade ao jogo, porque no momento em que nós jogamos quem jogam são as equipas, os treinadores não jogam um contra o outro. Será acima de tudo também, acho eu, depois das duas finais anteriores com um treinador portuguêsmais um momento de afirmação do treinador português no mundo, e o reconhecimento também da sua qualidade, neste caso da qualidade do Alexandre, da minha qualidade como treinador naturalmente, e fico feliz é por isso acontecer", elogiou.

Notícias ao MinutoMiguel Cardoso conquistou o campeonato sul-africano na época passada© Reprodução

Questionado sobre um eventual regresso ao futebol europeu, Miguel Cardoso recordou todo o seu já extenso percurso, frisando que tem contrato com o Mamelodi Sundowns.

"Muito sinceramente, não estou à espera de abrir portas nenhumas. Acho que a minha carreira abriu-me portas de alguns dos grandes clubes europeus e africanos. Recordo que trabalhei no Shakhtar Donetsk, no Celta de Vigo, no Nantes, AEK, no Espérance de Tunis, no Mamelodi Sundowns como treinador principal. Isto são clubes grandiosos. Estive no FC Porto, no Sporting, no Sporting Clube Braga, no Rio Ave, como adjunto no Belenenses, na Académica de Coimbra. Um conjunto de clubes que representei absolutamente de privilégio", sustentou Miguel Cardoso.

"E as portas que são abertas não é por esta final, é por toda uma consistência de carreira, e nomeadamente por o trabalho que foi feito nos últimos três anos, onde ganhámos títulos, onde nos afirmámos como treinador, e onde foi possível encontrar contextos de sucesso onde se pode ganhar. Obviamente que ganhar é sempre importante, atingir finais da dimensão desta é sempre importante, reforça muito aquilo que é o valor do treinador. Associado com a consistência de um percurso, naturalmente traz outros contextos eventualmente de realização. Não melhores, mas diferentes. Eu, de qualquer forma, tenho um contrato com o meu clube e o meu foco é naturalmente aqui, e depois logo se vê o que é o futuro", finalizou.

A primeira mão da final da Liga dos Campeões africanos vai ter lugar a 17 de maio, na casa do Mamelodi Sundowns (15 horas), com a segunda mão a ter lugar no recinto do FAR Rabat, em Marrocos, a 24 de maio (20 horas).

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