Anísio Cabral parece ter um toque de midas que transforma o complicado em fácil. Até há bem poucas semanas um verdadeiro desconhecido da grande maioria dos apoiantes do Benfica, o jovem de apenas 17 anos de idade - vai celebrar 18 no próximo domingo - parece chegar à equipa principal já com um destino escrito.
O campeão do mundo de sub-17 voltou a fazer das suas e confirmou o estatuto de jogador que aparece nos momentos de maior aperto. Se, contra o Estrela da Amadora, em partida que os águias ganharam à vontade, isso só permitiu abrilhantar a festa, o golo de domingo na recepção ao Alverca, 30 segundos depois de ter entrado em campo, a substituir Schjelderup, valeu mesmo os três pontos e deu a José Mourinho a hipótese de ainda sonhar com a chegada ao primeiro lugar do campeonato.
E o guião de domingo na Luz foi uma cópia fiel do que aconteceu contra os estrelistas. Após marcar na estreia absoluta, no primeiro toque na bola, o avançado de 17 anos voltou a repetir o guião frente ao Alverca: entrada tardia, um minuto, um cruzamento, uma cabeçada e um golo. Parece inventado, mas não é.
"É fazer golos. Falta-nos fazer golos. Há jogadores que, por natureza, têm golo", reconheceu Mourinho sem rodeios após o jogo. E foi aqui que surgiu o novo herói da Luz: "O Anísio tem golo. É abençoado. Chega, cabeça, golo". Uma espécie de antídoto que surge quando a ansiedade se começa a apoderar dos jogadores encarnados.
Um crescimento que abafa Franjo Ivanovic
Esta explosão de Anísio Cabral parece quase como um amuleto. É que o jovem tem sido solução imediata para o problema de eficácia do Benfica nos momentos de aperto, girando sobre si uma espécie de aura. Não vai resolver sempre - em Tondela, por exemplo, não resolveu - mas o que é certo é que já é o segundo avançado da hierarquia do Benfica.
Contratado por 22,8 milhões de euros no mercado de transferências de verão do ano passado, Franjo Ivanovic parece ter cada vez menos espaço nos eleitos de Mourinho. Pelo terceiro jogo, o croata, que contra o Real Madrid só contou com um minuto de utilização, voltou a ser preterido em comparação com Anísio Cabral. E com o jovem a ser decisivo cada vez que entra em campo, o jogador contratado ao Union St. Gilloise tem vida difícil.
"O Ivanovic tem jogado pouco, mas tem estado sempre presente, nunca ficou fora de uma única convocatória. Utilizei-o quando achei que devia utilizar, quando foi um jogo em que eu senti que as características do adversário, a maneira como o adversário jogava - um adversário que eu conhecia muitíssimo bem como foi o caso do Napoli - eram ideais para as suas características", destacou há dias o treinador do Benfica.
É certo que o Benfica não deve viver à sombra do facto de um jovem jogador de 17 anos pode resolver os problemas de eficácia da equipa. Ainda que não seja titular, nem indiscutível, muito longe desse estatuto, a verdade é que o luso-guineense promete marcar o início de uma nova fase com a camisola do Benfica e que deixa os adeptos a sonhar com muitos mais golos.
