André Silva concedeu uma extensa entrevista à edição desta sexta-feira do jornal O Jogo, na qual abordou diversos temas, entre eles, a maneira como saiu do FC Porto, no verão de 2017, rumo ao AC Milan, a troco de uma verba na ordem dos 38 milhões de euros, quando tinha apenas 22 anos de idade.
"A sensação que levei foi essa, que saí bastante rápido do clube. Talvez isso possa ter influenciado toda a minha carreira ao sair dessa forma. O clube estava num momento que necessitava disso, pelas dificuldades financeiras. Nessa perspectiva, digo e vinco que sinto que ficou algo por fazer, pelo que significa o clube para mim, pela rapidez com que passei pela equipa A", começou por afirmar.
"Custou-me bastante, um processo difícil, vivia a ambição de estar nos palcos gigantes, sentir a pressão de ajudar o clube que amava. Perder essa envolvência foi doloroso, principalmente, pela fase que atravessava, pelo que significava estar no FC Porto, a jogar e a ter impacto. Nem o nome do clube, nem o que ia ganhar, atenuava esses sentimentos. Sabia o que estava a deixar...", prosseguiu.
"Do FC Porto, não chegou essa oferta para regressar. Não veio, talvez pudesse ter aceite, nunca se sabe. Mas existiram oportunidades de voltar a Portugal, ao campeonato que me fez jogador e que impulsionou a minha carreira. Aconteceu antes de Frankfurt e também quando estava no Leipzig", completou.
"FC Porto? Torço para que venha esse título"
O internacional português acabaria por não conseguiu singrar, no Stadio Giuseppe Meazza, pelo que somou empréstimos consecutivos a Sevilla e Eintracht Frankfurt, que acabou por adquiri-lo, a título definitivo, em 2020. Seguiram-me passagens por Leipzig, Real Sociedad, Werder Bremen e, agora, Elche.
Ainda assim, o próprio nunca deixou de acompanhar os dragões, e aplaudiu o trabalho levado a cabo por André Villas-Boas: "Estão num momento espetacular, de louvar. Depois de 42 anos de presidência do Pinto da Costa, era previsível uma fase complicada. É preciso dar mérito e ver que essa dificuldade está a ser rapidamente ultrapassada".
"Está tudo a correr muito bem, também começa a aumentar a responsabilidade, mas sinto que há um grande controlo de toda a gente que leva ao que está a acontecer. Torço para que venha esse título, espero que mantenham este nível", acrescentou o avançado, atualmente, com 30 anos de idade.
"Identifiquei-me muito com Rodrigo Mora"
A terminar, André Silva teceu rasgados elogios a dois jogadores do FC Porto, começando, desde logo, por Samu Aghehowa: "É muito jovem e tem bastante presença, nota-se no campo pelo respeito que mete aos defesas. Tem muito poder físico e golo. O futebol é um todo, é preciso criar, mas também é sempre necessário alguém capaz na frente para marcar, ter essa capacidade e frieza".
De seguida, o ponta de lança virou baterias para Rodrigo Mora: "Identifiquei-me muito com ele, pela trajetória, pelo caminho que fez. Vejo com muito bons olhos o Mora, e torço muito pelo seu sucesso. Tem feito um grande trabalho, é um abre-latas em espaços reduzidos. Cria muitos desequilíbrios, é um daqueles que, do nada, cria algo".
