"Não gosto de ouvir falar disto como o AC Milan de Amorim. O AC Milan é o AC Milan", diz Ruben Amorim, que assume que "ainda falta muita coisa" à equipa (sem esquecer a evolução de Gonçalo Ramos).
Ruben Amorim concedeu, esta sexta-feira, uma extensa entrevista à estação televisiva italiana Sky Sport, na qual assumiu que o AC Milan está longe de se encontrar no ponto em que pretende, após uma entrada positiva na Serie A, com três vitórias e dois empates ao cabo de cinco jornadas... e uma não tão boa na Liga Europa, por conta da derrota sofrida na receção ao Benfica, por 0-2.
"Ainda falta muita coisa, e digo-o sem problemas. Pretendemos dominar o jogo de uma maneira mais constante. Jogamos bem, em certos momentos, mas temos ainda muito trabalho pela frente. Não gosto de ouvir falar disto como o AC Milan de Amorim. O AC Milan é o AC Milan, tem uma história e uma identidade que vão além do nome de um treinador", começou por afirmar.
"Eu pretendo uma equipa reconhecível, capaz de vencer quando as coisas não correm perfeitamente. Ainda estamos longe de alcançar o nosso potencial, mas precisamos de tempo e de continuidade. Temos muitos jogos, e, em paralelo, temos de vencer e melhorar, o que não é simples", prosseguiu o treinador português.
"Vou sempre tentar fazer alinhar o melhor onze para cada jogo, tendo em conta aqueles que poderão ser precisos, na segunda parte. Olhando para estes primeiros cinco jogos, já é claro que todos os jogadores entraram em campo positivamente. Não podemos pensar apenas no onze titular. Depois, com dois dias entre jogos, é impossível confiar sempre nos mesmos. Todos temos de estar preparados, e trabalhamos sobre isso todos os dias", completou.
Ruben Amorim atento a Gonçalo Ramos
O antigo treinador do Sporting aproveitou, ainda, a ocasião para aplaudir a evolução de Gonçalo Ramos, reforço de verão recrutado ao Paris Saint-Germain, a troco de uma verba na ordem dos 74 milhões de euros: "Se observarem os jogos com atenção, já teve algumas situações interessantes, além de que está bem, na seleção nacional".
"O último golo dele, contra a Dinamarca, decidiu o jogo. Está a demonstrar o seu valor. A minha principal preocupação é criar mais oportunidades para todos os meus jogadores, como Pulisic, Camarda, Cissé... É um trabalho coletivo", sublinhou, antes de deixar uma palavra especial ao 'veterano' Luka Modric, de 41 anos de idade.
"Estamos a tentar geri-lo da melhor maneira para a equipa. É um impossível que um jogador daquela idade jogue sempre com aquela intensidade. A única coisa que posso dizer é que o Luka treina como se fosse um jovem, com uma vontade e um entusiasmo que agradam a toda a gente. Adora o futebol, adora estar em campo e isso é fundamental para nós. Estamos verdadeiramente satisfeitos por tê-lo no grupo", referiu.
"É isso que mais me preocupa..."
A terminar, Ruben Amorim desvalorizou o facto de a pausa para compromissos internacionais ter surgido numa altura em que o 'seu' AC Milan estava em crescendo: "Não é uma preocupação, porque temos de adaptar-nos àquilo que acontece no nosso mundo e não há muito que possamos fazer. Duas ou três semanas mudam pouco".
"Tivemos tempo para trabalhar com alguns jogadores que precisavam, e a oportunidade de ver outros que, no futuro procuraremos ajudar. Se houver uma verdadeira preocupação, não tem a ver com as três semanas de pausa, mas sim com o número de jogos que nos aguardam, daqui em diante. É isso que mais me preocupa, juntamente com o ritmo que teremos de ter", concluiu.
