"Nunca Vi Um Agente Influenciar Convocatórias"! A Verdade De Carlos Godinho Sobre A Seleção

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Godinho iniciou funções na FPF na 1974 e 10 anos depois, em 1984, começou a trabalhar diretamente com as demais seleções nacionais, antes de integrar os quadros da seleção principal em 1991, num percurso de 50 anos no organismo, que terminou em 2024.


O também ex-'team manager' da seleção recordou a aposta feita em 1984 no desenvolvimento das seleções portuguesas, com alguns programas, como arranque, numa primeira fase, para os escalões jovens.

"Era nosso desejo que fosse possível estar nas fases finais, tendo em conta a qualidade dos jogadores e treinadores. Começamos pela formação, com a participação nas competições jovens. A FPF começou a organizar-se internamente para dar suporte às seleções e, a partir daí, percebeu-se que havia condições para ir mais além", disse em declarações à agência Lusa.

Portugal apurou-se para o Mundial1986, no México, que Carlos Godinho lembrou que "não foi bom", mas em simultâneo cresceram seleções jovens de grande qualidade que deram origem a vitórias importantes, com maior destaque para os sub-20, que foram bicampeões do mundo, em 1989 e 1991.

"Depois pensou-se que, desde que a FPF tivesse meios aos dispor dos jogadores e dos treinadores, talvez fosse possível pensar nos profissionais, nos sub-21 e nos 'AA', concretamente em Europeus e Mundiais. O essencial era dar condições para as seleções terem meios para trabalhar e os resultados apareceram. Os resultados trazem suporte financeiro e suporte financeiro traz condições estruturais", explicou.

O antigo responsável salientou que a presença no Europeu de 1996, em Inglaterra, foi a primeira dentro deste projeto de desenvolvimento e que, a partir dessa data, Portugal nunca mais esteve ausente de uma fase final em Europeus.

A aposta seguinte foram os Campeonatos do Mundo e, apesar de 2002 não ter corrido "conforme o desejado", deu ideias do caminho a percorrer e das melhorias necessárias, sendo que desde essa edição Portugal nunca mais esteve ausente.

Com pequenas vitórias internas, sempre na busca de melhores condições, Carlos Godinho referiu que deu para perceber que havia possibilidades de chegar aos troféus.

"Estivemos perto em 2004, depois só aconteceu em 2016 o título europeu. Em 2019 foi a Liga das Nações, repetida em 2025. Mas estivemos perto de outras vitórias e mesmo no Mundial2006 estivemos perto. Não tínhamos as condições que hoje temos e que foram criadas mais tarde, de suporte de outro nível às seleções. É preciso estar atento aos bastidores das competições. Portugal criou as condições para competir, mas nessa altura não tinha esse suporte que é muito necessário", reconheceu.

Godinho é claro em destacar a conquista do Euro2016, em França, como o "momento mais importante das seleções nacionais", mas não esqueceu o Euro2004, que Portugal organizou e em que chegou à final, sendo derrotado pela Grécia, considerando uma "fase final fantástica".

Se 2004 está nas melhores memórias, a derrota na final está nas piores, juntamente com o desaire nas meias-finais do Mundial2006 com a França, que considerou "injusta".

Depois de destacar que toda a evolução da seleção nacional foi um trabalho longo, que passou por muitos presidentes, como Fernando Gomes, Gilberto Madail e os seus antecessores, Carlos Godinho referiu que até os insucessos ajudaram a aprender e evoluir.

A terminar, Godinho abordou as alegadas influências de clubes e empresários nas convocatórias de Portugal, explicando que muitas pessoas falam de assuntos que desconhecem.

"Existe sempre algum poder, quer dos clubes quer dos agentes, para ter os seus atletas nas fases finais, porque daí também vêm melhores condições financeiras. Nestas convocatórias para o Mundial2026 sentiu-se isso, alguns clubes a incitarem para convocarem alguns jogadores, mas isso é normal e não traz mal ao mundo", referiu.

Outra coisa diferente de os clubes e agentes pretenderem ter os seus jogadores nas grandes competições é uma influência direta nas escolhas de um selecionador, algo que Carlos Godinho não acredita que aconteça e que nunca viu na seleção portuguesa.

"Agora, dizer que um empresário diz a selecionador para convocar o A, B ou C, não acredito e nunca vi na seleção nacional. Os jogadores são convocados por um selecionador que quer ganhar, e não acredito que um selecionador vá convocar jogadores com menos qualidade para fazer um favor, isso para mim não existe", concluiu.

Portugal vai disputar o Grupo K e tem estreia marcada no Mundial2026 para 17 de junho frente à República Democrática do Congo, em Houston, numa partida com início marcado para as 12:00 (18:00 horas de Lisboa).

Segue-se o estreante Uzbequistão em 23 de junho, também em Houston e igualmente com início agendado para as 12:00 (18:00), ficando o grupo fechado em 27 de junho, com Portugal a defrontar a Colômbia em Miami, num jogo que começa às 19:30 (00:30 de 28 de junho).

O Mundial2026 vai decorrer de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

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