Apelo Do "Tio" Da Seleção: "Que Cristiano Ronaldo Tenha Condições Para Se Despedir Com O Mundial"

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Carlos Godinho iniciou funções na FPF em 1974 e 10 anos depois, em 1984, começou a trabalhar diretamente com as demais seleções nacionais, antes de integrar os quadros da formação principal em 1991, num percurso de 50 anos no organismo, que terminou em 2024.


Em entrevista à agência Lusa, Carlos Godinho não antevê facilidades para a equipas das 'quinas', no torneio que vai ser disputado de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

"O Mundial será difícil, pelos jogos, mas também pelo cansaço com que se vão apresentar. A mudança continental é uma desvantagem, como será para outros países em outros continentes. As equipas mais poderosas têm jogadores nas grandes competições de clubes e chegam lá fatigados, a que se juntam viagens longas, mudança de horários e clima, que influenciam o rendimento. É preciso ter cuidado a preparar, é muito mais difícil jogar nos Estados Unidos do que na Alemanha", disse em declarações à agência Lusa.

O antigo responsável federativo explicou que Portugal tem jogadores de qualidade e experiência em grandes competições, mas rejeita rótulos de favoritismo, apesar da crença que um dia a seleção das 'quinas' vai chegar ao título mundial.

"Somos um país pequeno, com dificuldades, mas temos grandes jogadores e treinadores e um dia vai acontecer. Portugal tem condições para, mas depende de muitos fatores, que influenciam o rendimento. Vamos ver a abordagem aos primeiros jogos e ver se com o decorrer da competição nos tornamos favoritos. É um Mundial difícil e os pequenos detalhes vão definir o vencedor", defendeu.

Para Carlos Godinho, o primeiro jogo, frente à República Democrática do Congo, no dia 17 de junho, será importante, mas não decisivo para o futuro da Portugal na prova.

"O primeiro jogo é sempre muito importante. Em 2002 perdemos com os Estados Unidos no primeiro jogo e foi difícil. Já em 2006 ganhámos a Angola, mas tem impacto o primeiro jogo, pois pode ser criada uma dinâmica de vitória. Tudo depende do estado de espírito, cansaço e mentalidade, mas estou convicto que com os jogadores e capacidade organizativa podemos chegar lá, mas dizer que vamos ganhar é prematuro", salientou, lembrando que, no Euro2016, por exemplo, Portugal não ganhou nenhum jogo na fase de grupos e chegou ao título.

Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo prepara-se para disputar a sexta fase final de um Mundial na carreira, com Carlos Godinho a lembrar o percurso do avançado e a experiência que colheu junto dos jogadores mais velhos.

"Não foi difícil trabalhar com o Cristiano. O Ronaldo apareceu com 18 anos a jogar com o Cazaquistão, em Chaves, mas tinha um conjunto de jogadores como o Fernando Couto, Figo e Rui Costa, entre outros, que o ajudaram muito a perceber a dimensão do local onde estava", frisou.

Carlos Godinho, considerado por muitos uma figura essencial no desenvolvimento das seleções nacionais nas últimas décadas, acompanhou todo o percurso de Ronaldo na seleção e destacou a maneira como assimilou os conselhos, mesmo quando ouviu algumas 'duras'.

"Já era extraordinário com aquela idade, mas colheu muito do que aprendeu com os mais velhos. Até me lembro de o chamarem à atenção para pequenos atos e gestos e ele assimilou rapidamente a mentalidade ganhadora. Ele caiu num grupo de jogadores experientes e com grande valor", explicou.

O antigo dirigente manifestou o desejo de ver o capitão levantar o troféu, o mais importante que tem em falta no currículo, mas voltou a alertar para as dificuldades.

"Esperemos que tenha condições para se retirar - não sei quando, mas o corpo não é eterno - com um título desta dimensão. Mas temos de ter em consideração que não vai ser nada fácil para Portugal e para outras equipas europeias. Disputado em três países, com jogadores com muitos jogos nas pernas, quem lá está tem de saber gerir estas dificuldades, acrescidas pelo facto de ser longe", concluiu.

Portugal vai disputar o Grupo K do Mundial2026 e tem estreia marcada para o próximo dia 17 de junho, frente à República Democrática do Congo, em Houston, numa partida com início marcado para as 12:00 (18:00 horas de Lisboa).

Segue-se o estreante Uzbequistão em 23 de junho, também em Houston e igualmente com início agendado para as 12:00 (18:00), ficando o grupo fechado em 27 de junho, com Portugal a defrontar a Colômbia em Miami, num jogo que começa às 19:30 (00:30 de 28 de junho).

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