Os 27 nomes chamados esta terça-feira por Roberto Martínez para integrarem a convocatória de Portugal para o Campeonato do Mundo de 2026 já faz as primeiras reações surgirem, com uma das primeiras a ser de António Salvador, presidente do Sporting de Braga.
O líder bracarense questionou a escolha feita pelo selecionador da equipa das quinas, considerando que a gestão foi feita com "total desencontro".
"Ou o selecionador tinha dúvidas, o que seria confuso e inverosímil perante tantos e tão reiterados elogios às qualidades futebolísticas, humanas e comportamentais do jogador; ou a lista dos 26 estava já estava bem sólida, o que torna até ofensiva a convocatória, não podendo ignorar-se que essa chamada alimentou, até pelo histórico existente, a expectativa de uma chamada que agora se voltou a frustrar", apontou António Salvador, com Roberto Martínez 'na mira'.
"Esta é uma opinião que me vincula unicamente a mim, mas que em defesa do meu capitão e do jogador mais importante da história do meu clube não consigo calar", concluiu o presidente do Sporting de Braga.
Em resposta, pouco depois, em direto na conferência de imprensa, Roberto Martínez diz "respeitar todos os presidentes dos clubes dos jogadores" e considera uma reação "normal": "Tenho capacidade de ser neutro. Preciso de tomar decisões que são difíceis. É um processo. Não é decisão emotiva ou intuitiva. Há um processo e parâmetros muito importantes. As escolhas são profissionais e com muita responsabilidade", confessou.
De recordar que Ricardo Horta já tinha sido um dos preteridos para o Campeonato da Europa de 2024, quando tinha sido um dos nomes sonantes a ficar de fora da lista final.
[Notícia atualizada às 13h38]
Confira a mensagem na íntegra deixada pelo líder do Sporting de Braga:
"Roberto Martínez acabou de dar a conhecer os seus eleitos para o Mundial’2026. Serão estes os 26 rostos da nossa ambição coletiva e a todos felicito pela chamada, desejando que representem Portugal ao nível das suas extraordinárias capacidades. Serei um entre milhões a torcer, como sempre, pela nossa Seleção.
Porém, e enquanto Presidente do SC Braga, não posso esconder a minha desilusão pela ausência do Ricardo Horta e confesso-o sem beliscar as opções técnicas, que não comento e sempre respeitarei. Questiono, isso sim, a gestão feita, o total desencontro entre o que se diz e o que se faz e o tratamento dado a um jogador que, aos 31 anos e com a expressiva carreira que tem, nunca poderia ser sujeito a testes e experiências.
Interrogo-me, acima de tudo, sobre a chamada do Ricardo Horta para uma digressão ao México e aos Estados Unidos, no pico da temporada e com tão importantes frentes em aberto para o SC Braga e para o futebol português.
É que dos dois cenários possíveis para essa chamada, ambos me inquietam e transtornam. Ou o selecionador tinha dúvidas, o que seria confuso e inverosímil perante tantos e tão reiterados elogios às qualidades futebolísticas, humanas e comportamentais do jogador; ou a lista dos 26 estava já estava bem sólida, o que torna até ofensiva a convocatória, não podendo ignorar-se que essa chamada alimentou, até pelo histórico existente, a expectativa de uma chamada que agora se voltou a frustrar. Depois de ter dito, em março, que a sua decisão mais difícil enquanto selecionador foi excluir o Ricardo Horta do Europeu’2024, a gestão feita torna-se ainda mais incompreensível e, no meu entendimento, desrespeitosa para com o jogador e para com o homem.
Esta é uma opinião que me vincula unicamente a mim, mas que em defesa do meu capitão e do jogador mais importante da história do meu clube não consigo calar."
