Paços Desce 52 Anos Depois! Crise Financeira E Divisão Interna Ameaçam Clube Histórico

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Sabemos que a vossa paixão não tem divisão, mas não é na terceira que queremos que ela seja vivida por muito tempo. Trabalharemos para regressar o mais brevemente possível. E esse trabalho começou hoje. É tempo de nos reerguermos, porque vamos voltar", escreveu o clube na página oficial.


A publicação surge numa altura em que muitos adeptos ainda tentam assimilar a descida à Liga 3, um cenário que os resultados recentes já deixavam antever.

Na época passada, o Paços apenas garantiu a permanência na II Liga no play-off, numa altura em que os problemas financeiros já condicionavam um clube que, durante anos, foi apontado como uma referência nacional de rigor orçamental.

O passivo subiu aos 5,6 milhões de euros, segundo números avançados pelo presidente Rui Abreu, para quem a entrada de investidores na SAD a criar - após autorização dos sócios em Assembleia-Geral - representava a única solução para assegurar a sobrevivência do clube, num processo polémico que dividiu ainda mais o universo pacense.

O "sim" acabou por vencer a votação, após recontagem. Mais tarde, a Mesa da Assembleia-Geral, alertada por alguns sócios, corrigiu os números finais, reforçando a vantagem da proposta, mas manteve válido o resultado, apesar dos pedidos de nova votação por parte de um grupo de adeptos.

Entre os contestatários figuram dois antigos presidentes, para quem a situação compromete a validade da decisão tomada, admitindo recorrer aos tribunais.

Para agravar o cenário de divisão, a descida poderá levar os investidores (PMK Sports), que já tinham adiantado 500 mil euros e previam investir mais 750 mil até ao final da época, a desistirem do negócio ou a exercerem a cláusula que lhes permite adquirir mais 15,10% do capital social por um euro.

Entre a incerteza financeira e a queda desportiva, permanecem as memórias de um passado recente que parecia afastar qualquer possibilidade de um cenário como o atual.

Há apenas 13 anos, em 2012/13, com Paulo Fonseca à frente da equipa de futebol, o Paços de Ferreira alcançava a melhor classificação da sua história, com o terceiro lugar na I Liga, numa equipa em que pontificavam nomes como Diogo Figueiras, Cohene, Ricardo, Antunes, André Leão, Josué, Luiz Carlos ou Cícero.

Por isso, os 'castores' atingiram um inédito play-off de acesso à Liga dos Campeões, mas foram eliminados pelos russos do Zenit e acabaram por disputar a Liga Europa.

Desde que jogaram pela última vez no terceiro escalão, em 1973/74, então na denominada III Divisão, os pacenses venceram por quatro vezes o segundo escalão, disputaram a Taça UEFA e a Liga Europa, jogaram finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga, além de participarem na Supertaça.

Neste período, o Paços esteve 24 épocas no principal escalão do futebol português, 13 das quais consecutivas, entre 2005 e 2018.

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