Com o mercado de transferências de verão a aproximar-se a passos largos, o FC Porto já prepara a todo o gás o plantel para a próxima temporada desportiva. Mas há um dossiê que pode, certamente, preocupar os responsáveis portistas e que está relacionado com o número de opções disponíveis para o meio-campo.
O setor intermediário é um dos fatores que em muito tem contribuído para o sucesso da campanha dos azuis e brancos, como comprovam as boas exibições de jogadores como Victor Froholdt e Gabri Veiga. Aliás, esta dupla tem ganho um conjunto vasto de interessados nas últimas semanas, o que pode antever uma possível saída no verão.
Aliado a isto, Alan Varela também já foi apontado a uma saída do FC Porto, com Seko Fofana sem lugar garantido na próxima temporada. O médio costa-marfinense está emprestado pelo Rennes, mas o salário elevado que aufere pode dificultar a continuidade de dragão ao peito na nova época.
Perante estas várias saídas que se perspectivam no meio-campo do FC Porto, o Desporto ao Minuto esteve à conversa com Carlos Chaínho, antigo médio dos portistas, que se mostrou pouco preocupado com esta possível razia no setor intermediário dos azuis e brancos.
"No futebol vive-se disso, há cláusulas e há jogadores. Todos os clubes correm o risco de perder jogadores. Acho que o FC Porto está precavido para todo tipo de cenários. O scouting trabalhou este ano para ir buscar bons jogadores. Supostamente podem sair um ou dois jogadores desse setor. Mas o FC Porto tem condições para superar isso. O Rodrigo Mora tem contrato. Mas o importante neste momento é obter o título, que acredito que será do FC Porto, Acho que não há dúvidas em relação a isso. Depois quando o campeonato acabar logo se vê o resto. A história é sempre esta. Os jogadores vão e a instituição fica e consegue-se reinventar. Não vejo que seja um drama muito grande", começou por dizer Chaínho.
"As grandes estruturas nas grandes equipas, e até nas equipas médias, sabem como trabalhar e o FC Porto não foge à regra. Toda a gente conhecer a estrutura do FC Porto a nível mundial. São pessoas que já estão há muitos anos nisto, que sabem como funciona o mercado e ninguém lhes ensina isso, nem eu. [As saídas] são uma coisa normalíssima para uma equipa de futebol. Há alvos a ver, há uma decisão da direção e depois do treinador. O FC Porto este ano foi um todo e não só no meio-campo, mas também na parte defensiva. Foi uma base muito importante. Digo sempre que ter um bom meio-campo, boa defesa e bons avançados faz a diferença. Aí, o FC Porto foi consistente", vincou, acrescentando:
"Para já, as eventuais saídas são um não assunto. Depois de acabar é ver quem são os jogadores. Tem de haver sempre uma mudança nos plantéis. Não acredito que o plantel seja o mesmo durante cinco, seis anos, porque há um desgaste nas coisas, há ideias novas. O FC Porto está super preparado para isso e com certeza já tem jogadores abaixo do olho para possíveis saídas."
Com Rodrigo Mora a ser uma das grandes promessas do plantel e que parece ter presença garantida no grupo da nova época, Carlos Chaínho recusou a ideia de colocar ainda mais pressão no jovem jogador e fazer dele a cara de um onze para 2026/27.
"Não se deve pensar nada em torno dele. Acho que os jogadores são todos importantes. Não acredito que se faça uma equipa em torno de alguém. A única equipa que se fazia em torno de alguém é o Cristiano Ronaldo, o Lionel Messi ou o Neymar. O Rodrigo é bom jogador e tem tudo para ter um muito bom nível. O FC Porto tem de fazer uma equipa consistente, com a filosofia do FC Porto, que é aquilo que foi sempre. Uma equipa aguerrida, com vontade, que não tenha medo das coisas. É isso que tem de fazer. Não vejo que seja em torno de ninguém. E com maior respeito que tenho ao Rodrigo", frisou Chaínho, que pediu a permanência de jogadores que tenham o perfil à Porto.
"Um jogador à Porto é aquele jogador que dá tudo, que não tem medo das coisas. É um jogador que sua a camisola, que, apesar do pouco tempo, que entende que é o espírito e a filosofia da equipa Foi isso que eu fui. Não fiz a formação no FC Porto, mas cheguei lá e acreditei sempre nas coisas", sublinhou, antes de recordar a importância dos milhões da Champions que estão aí à porta.
"Toda a gente quer ganhar por causa deste dinheiro da Liga dos Campeões, não é? Toda a gente fala da luta pelo segundo lutar entre Benfica e Sporting e também tem a ver com isto. A Liga dos Campeões serve para reforçar aquilo que é um bocadinho a dinâmica de tudo. Porque o FC Porto não é só futebol, é muita coisa. São várias modalidades. Além disso, não acredito que o FC Porto faça grandes loucuras no próximo ano. Tem bons jogadores, tem valores, tem miúdos da formação... Às vezes, debaixo da nossa própria casa, temos a solução. Pelo menos é aquilo que eu vejo devido à experiência que tenho tido no futebol", finalizou o antigo jogador portista.
