Mourinho Enterra Dupla De 39 Milhões! "Enzo-Ríos Limitou O Benfica No Clássico Com FC Porto"

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Estará a dupla Enzo Barrenechea-Richard Ríos condenada ao insucesso no Benfica? Foi o que José Mourinho deixou antever, no rescaldo do Clássico frente ao FC Porto (2-2), disputado no último domingo, ao admitir que o meio-campo não tinha capacidade suficiente para travar as ações do rival. 


O Special One lamentou mesmo não poder contar com Fredrik Aursnes, que se encontra lesionado, e deixou bem definida a hierarquia que vigora, por esta altura, na Luz.

"O jogo que fizemos melhor contra o FC Porto dos três foi o da Taça. Aursnes e Barreiro no meio-campo e tivemos muita bola. Quando perdes muita bola contra o FC Porto, vais correr atrás deles. Mas eles vão de mota e tu de bicicleta. O perigo esteve sempre aí. Eles fizeram o jogo que queriam fazer", começou por afirmar Mourinho, em conferência de imprensa, deixando mais uma certeza. 

"Senti-me muito limitado porque, apesar de não gostar muito de o fazer, é óbvio que tenho de o fazer. Uma coisa é jogar com Aursnes e Barreiro, outra com Enzo e Ríos. Não digo que uns são melhores do que os outros, mas o perfil é completamente diferente", destacou o treinador das águias. 

Ora, pelas palavras de Mourinho, Enzo parece ser, agora, figura de segunda linha (quatro titularidades nos últimos 10 jogos), e Richard Ríos já não será tão imprescindível como era defendido pelo mesmo treinador, há apenas poucos meses. 

O que disse Mourinho ao longo dos meses?

Estas declarações de Mourinho no pós-Clássico ganharam atenção mediática por conta daquilo que o técnico do Benfica disse antes. Olhando para a cronologia é possível identificar as diferenças que agora se verificam. 

Recuemos até 5 de outubro de 2025. O Benfica visitava o FC Porto, em jogo da 8.ª jornada da I Liga, e acabaria por sair do Dragão com um nulo no marcador. Mourinho mostrava-se, ainda assim, radiante com as exibições de Enzo e Ríos, a dupla escolhida para alinhar no meio-campo.

"Fomos fortes no controlo da profundidade. O [Richard] Ríos e o Enzo [Barrenechea] fizeram um excelente jogo no controlo do Froholdt, que, hoje, praticamente não se viu, não por culpa dele, por culpa nossa. A mesma coisa com o Gabri Veiga", explicava Mourinho. 

Por esta altura, Enzo e Ríos pareciam estar de pedra e cal no onze do Benfica, com Mourinho a revelar total confiança nos dois jogadores que foram contratados no último verão. 

Ainda em 2025, o treinador do Benfica voltaria a deixar rasgados elogios ao internacional colombiano, após a vitória frente ao Napoli (2-0), para a Liga dos Campeões. Nesta altura, Mourinho estava apostado em dar força ao meio-campo e já tinha feito entrar Leandro Barreiro no onze, ao mesmo tempo que Aursnes ainda ia assumindo papel de falso ala. 

"A conexão que nós temos neste momento, entre Ríos, Aursnes e Barreiro, está-nos a dar esse equilíbrio e, ao mesmo tempo, permitindo ao Ríos ser um grande jogador, porque ele é um grande jogador. Não conseguiram rebentar com ele", apontava o treinador das águias, a 10 de dezembro de 2025. 

Lesões abriram caminho a Barreiro e Aursnes 

Tudo mudou para Mourinho e para o meio-campo do Benfica em janeiro de 2026. Em mais uma visita ao Dragão, desta vez para a Taça de Portugal, uma lesão de Ríos, em cima do intervalo, obrigou Mourinho a redesenhar o meio-campo. 

Numa altura em que já se encontrava em desvantagem no marcador, por conta do golo de Bednarek, Mourinho optou por fazer recuar para o lado de Aursnes e fez entrar Sudakov para o lugar de Ríos, descartando a utilização de Enzo, que estava no banco mas "limitado" por conta de uma lesão.  

"Se o jogo exigisse Enzo, o Enzo entraria. Só que o jogo não exigia Enzo. Nós tínhamos bola, nós estávamos a jogar, estávamos a encontrar espaço para jogar, o jogo exigia mais Sudakov do que Enzo", explicava Mourinho. 

A partir daqui, e apesar da derrota que ditou a eliminação na Taça de Portugal, a hierarquia do meio-campo do Benfica mudaria de forma radical. 

Barreiro e Aursnes passaram a ser as primeiras escolhas de Mourinho, que, nos 12 jogos seguintes, só não apostou em ambos quando foi forçado a tal - por conta dos problemas físicos do norueguês, leia-se -, ou na hora de gerir a condição física do plantel. 

Ora, Richard Ríos acabaria por recuperar da lesão, mas é, agora, visto como um terceiro médio, tal como aconteceu, por exemplo, na 2.ª mão do playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, na visita ao Real Madrid. 

De resto, Ríos e Enzo apenas alinharam juntos no meio-campo frente ao AVS, em jogo do campeonato que ficou no intervalo da eliminatória europeia, e agora mais recentemente com o FC Porto, quando Aursnes, lesionado, falhou o encontro, e Barreiro, recuperado, só poderia jogar 15 minutos, tal como Mourinho explicou. 

Meio campo do Benfica a partir do jogo da Taça 

AdversárioMeio-campoObservações
Rio AveAursnes e Barreiro-
JuventusAursnes e Barreiro-
EstrelaAursnes e Barreiro-
Real MadridAursnes e Barreiro-
TondelaAursnes e Barreiro-
AlvercaAursnes e Barreiro-
Santa ClaraEnzo e BarreiroAursnes lesionado
Real MadridAursnes e Barreiro-
AVSEnzo e RíosGestão
Real MadridAursnes e BarreiroRíos como terceiro médio
Gil VicenteAursnes e Barreiro-
FC PortoEnzo e RíosAursnes lesionado, Barreiro limitado

Muitos milhões, pouco rendimento  

Olhando ainda para os casos de Enzo e Ríos, vale a pena recordar o investimento feito pelo Benfica no último verão.

O médio argentino chegou por empréstimo do Aston Villa, mas o Benfica será obrigado a comprar o jogador por conta da cláusula de 12 milhões de euros, por já ter alcançado a meta dos 15 jogos disputados de águia ao peito. 

Por seu turno, o internacional colombiano que a estrutura encarnada foi buscar ao Palmeiras, de Abel Ferreira, custou 27 milhões de euros fixos. 

Significa isto que esta dupla de meio-campo, agora relegada para segundo plano, teve um custo de quase 40 milhões de euros. 

Manu Silva riscado?

Nas contas do meio-campo resta, ainda, o nome de Manu Silva, para além dos miúdos da formação que vão tendo presença assídua na equipa A (tais como Diogo Prioste, Tiago Freitas e Gonçalo Moreira, para lá dos lesionados João Veloso e Nuno Félix). 

O ex-Vitória SC recuperou de uma lesão grave contraída no arranque de 2025, pouco depois de ter sido contratado, e até já recebeu vários elogios de Mourinho. 

No entanto, a utilização de Manu tem ficado longe de ser recorrente: nos últimos 10 jogos jogou apenas dois minutos e a última titularidade remonta à meia final da Taça da Liga, frente ao Sp. Braga, a 7 de janeiro. 

O que resta ao Benfica? 

Sem gestão ou com gestão a meio-campo, Mourinho está obrigado a centrar as baterias apenas e só para o campeonato, onde o Benfica está longe da liderança - o FC Porto tem mais sete pontos -, restando-lhe nove jogos para poder, pelo menos, chegar ao segundo lugar. 

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