O Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol deu a conhecer, esta terça-feira, a decisão de multar o FC Porto em mais de 15 mil euros, na sequência de um comunicado em que os dragões lançaram críticas à arbitragem na reação à alegada pressão feita ao árbitro Fábio Veríssimo, no duelo frente ao Sporting de Braga (2-1), do passado dia 2 de novembro.
As declarações presentes no referido comunicado continham "ofensas à honra ou consideração de agentes de arbitragem", de acordo com o organismo, algo que motivou uma queixa da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) e, agora, uma pesada sanção monetária para os cofres dos azuis e brancos.
"Decide-se julgar totalmente procedente a acusação, e, consequentemente, condena-se a Arguida Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD pela prática de 1 (uma) infração disciplinar p. e p. pelas disposições conjugadas dos artigos 112.º, n.ºs 1, 3 e 4 [Lesão da honra e denúncia caluniosa], com referência ao artigo 54.º, n.º 1, do RDLPFP, na sanção de multa de 150 (cento e cinquenta) UC, correspondente a € 15.300,00 (quinze mil e trezentos euros), considerando já a aplicação do fator de ponderação respetivo (de um), nos termos do artigo 36.º, n.º 2 do RDLPFP", pode ler-se no documento publicado.
Recorde-se que o árbitro Fábio Verísismo havia denunciado, logo após o jogo no Estádio do Dragão, uma tentativa de pressão por parte do FC Porto, no intervalo do referido jogo da 10.ª jornada da I Liga, uma vez que o clube da cidade Invicta terá ligado uma televisão no balneário, que não podia ser desligada, a transmitir os lances em que, no seu entender, teriam sido prejudiciais durante a primeira parte.
A polémica rebentou e, já depois de tomadas posições como as de Benfica e Sporting, o FC Porto voltou à carga para apontar o dedo aos seus rivais, recorrendo a exemplos de lances que terão beneficiado os outros dois candidatos ao título, para além das novas críticas dirigidas ao setor da arbitragem.
Recorde o comunicado:
"Perante as notícias de hoje, dando conta de que o Conselho de Disciplina da FPF terá aberto um processo disciplinar ao FC Porto por factos ocorridos no jogo disputado entre o FC Porto e o SC Braga no passado dia 2 de novembro de 2025, o FC Porto vem, pelo presente, prestar os seguintes esclarecimentos, reafirmando o seu respeito pela autonomia dos órgãos disciplinares e a sua total disponibilidade para colaborar nas diligências necessárias:
1. O FC Porto ainda não recebeu, por parte das entidades competentes, os relatórios finais da partida, pelo que se reserva o direito de se pronunciar sobre os mesmos em momento oportuno. A este respeito, o Clube exige à FPF que se pronuncie, com caráter de urgência, sobre a aparente divulgação prévia de documentação oficial em canais privados antes de as partes diretamente envolvidas a receberem.
2. Na perspectiva do FC Porto, persistem graves problemas na arbitragem em Portugal, como a dualidade de critérios, a falta de uniformização nas decisões e o condicionamento permanente das arbitragens antes e depois dos jogos por intervenientes diretos e indiretos (alguns alegadamente ligados a sociedades desportivas). Adicionalmente, continuam a registar‑se, época após época, tentativas de branqueamento de lances capitais com impacto direto nos resultados através do comportamento coordenado de comentadores com relações privilegiadas no seio dos organismos decisores.
4. Relativamente ao árbitro Fábio Veríssimo, o FC Porto considera importante dar nota que, após o término do último FC Arouca-FC Porto, e perante várias testemunhas, o árbitro em questão ameaçou dirigentes do Clube com expulsões e outras formas de intimidação, ameaças essas que, no entendimento do FC Porto, se vieram a concretizar no jogo do passado domingo. O sucedido será objeto de participação ao Conselho de Disciplina, para que o referido árbitro possa explicar as motivações desta conduta que, no entender do FC Porto, não apenas infringe deveres a que aquele está adstrito, como consubstancia um comportamento persecutório.
5. O FC Porto considera no mínimo surpreendente a oportunidade e o teor do comunicado emitido pelo SL Benfica. Desde logo, a ironia de ver um clube que, como é público, tem estado envolvido em episódios recentes associados ao fenômeno da arbitragem - alguns dos quais objeto de processos judiciais ainda em curso, sem prejuízo da presunção de inocência - e cujo presidente terá, segundo foi amplamente noticiado, confrontado árbitros em túneis de acesso a balneários, vir referir situações de supostas pressões sobre árbitros. Este comunicado é ainda mais curioso quando, nas vésperas da mais recente edição da Supertaça, o SL Benfica entendeu emitir uma nota elencando uma série de alegados erros precisamente do árbitro Fábio Veríssimo, numa iniciativa que, no entendimento do FC Porto, pode objetivamente ser interpretada como tentativa de condicionamento do seu desempenho para o jogo em causa. Regista‑se, ainda, a coincidência de o quarto árbitro do jogo FC Porto-SC Braga, Gustavo Correia, ser precisamente o árbitro que esteve prestes a ser agredido em pleno relvado do Estádio da Luz, no jogo entre o SL Benfica e o Sporting CP em maio passado - o que suscita, além de outras, preocupações de segurança e a questão do efeito que condutas dessa gravidade poderão ter na capacidade de os árbitros desempenharem as suas funções livres de qualquer condicionamento.
6. Todas estas circunstâncias impõem uma reflexão profunda sobre o estado atual do futebol português e, em particular, sobre a arbitragem. No passado sábado, o FC Porto solicitou uma reunião ao presidente do Conselho de Arbitragem para a próxima paragem do campeonato, oportunidade em que reiterará a sua indignação com o rumo deste primeiro terço da prova e a sua disponibilidade para procurar formas de reforçar e proteger a qualidade e a independência da arbitragem em Portugal.
7. O FC Porto sugere aos seus rivais que, em vez de se focarem em comunicados e e‑mails, nos quais alguns são mestres, e em estratégias comunicacionais suscetíveis de pressionar árbitros, se disponibilizem para, de uma vez por todas, encontrar verdadeiras soluções para os desafios estruturantes que o futebol português enfrenta."
