José Pereira, ex-presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, mantém uma relação de amizade com Jorge Jesus há largos anos, e acredita numa reconciliação com Cristiano Ronaldo... desde que ambos coloquem os "egos" de parte.
José Pereira, antigo presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) e amigo de longa data de Jorge Jesus, concedeu, esta quarta-feira, uma entrevista ao 'Jornal de Desporto' da Antena 1, na qual se debruçou sobre o 'braço de ferro' com Cristiano Ronaldo, que abandonou a principal seleção de Portugal em desacordo com a gestão por si efetuada.
"Conheço o Jorge Jesus, e ele nunca viraria as costas a uma luta, seja ela menos ou mais intensa, portanto, ele vai querer acabar o seu trabalho, e penso que uma grande parte dos portugueses também pretendem que ele continue na seleção", começou por afirmar, antes de se mostrar esperançoso numa reconciliação entre ambas as partes.
"O bem da seleção passa, necessariamente, pela continuidade de Jorge Jesus e pela continuidade de Cristiano Ronaldo, naturalmente, cumprindo as regras e estando sujeito àquilo que, efetivamente, for determinado pela própria Federação Portuguesa de Futebol [FPF]", prosseguiu, apelando a uma reunião cara a cara.
"Às vezes, os nossos olhos, os nossos gestos, são mais importantes do que qualquer comunicado. Penso que as pessoas, quando se encontram e conversam sobre os temas em questão, é muito mais fácil de resolver do que através de comunicados. A escrita é muito bonita, mas, como dizia o Jorge Jesus e muito bem, ele não é poeta", completou.
José Pereira recordou, ainda, que "a equipa está a treinar bem, está a jogar bem, está a corresponder às expetativas", o que origina um clima propício para que não seja "difícil conciliar" as vontades de treinador e jogador... desde que ambos saibam ter a humildade necessária para que tal aconteça.
"Estão em questão duas pessoas que têm bastante personalidade, duas pessoas que têm um ego também muito grande, há que o reconhecer, mas eu penso, também, que vamos encontrar uma solução que agrade a todas as partes", concluiu.
Cristiano Ronaldo aponta o dedo a Jorge Jesus
Cristiano Ronaldo, recorde-se, cumpriu, na terça-feira, com o prometido, e, numa carta aberta de cinco páginas, esclareceu os motivos que o levaram a deixar o estágio da seleção nacional, na véspera do triunfo conquistado sobre a Dinamarca, por 2-4, no Parken, estádio situado em Copenhaga.
O avançado do Al Nassr não poupou nas críticas dirigidas a Jorge Jesus, acusando-o de "faltar à palavra", ao tê-lo colocado a aquecer sem lhe dar a oportunidade de ir a jogo, na vitória sobre a Noruega, no Ullevaal Stadion, em Oslo, por 1-2. Isto, sem esquecer a "agressividade" com que se referiu, mais tarde, a este tema, em conferência de imprensa.
"Nunca, em nenhum momento me intrometi em qualquer decisão técnica ou tática de qualquer treinador ou selecionador em quase 25 anos de carreira. Aceito é melhor ou pior o que me propõem fazer. Respeito a decisão e quando me faltam à palavra, sinto que o meu lugar não é ali", atirou.
"Devo também um pedido de desculpas aos meus companheiros de Seleção por ter abandonado o estágio. Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do selecionador, como poderá testemunhar quem assistiu a estas conversas, eu não o devia ter feito. A responsabilidade é exclusivamente minha", completou.
