José Mourinho classificou, esta sexta-feira, como "ridículo" o ruído criado em torno de Kylian Mbappé e de outros jogadores do Real Madrid durante a pausa competitiva imposta pelos compromissos das seleções. Em conferência de imprensa, de antevisão ao jogo contra o Villarreal, o treinador português apontou o dedo à imprensa espanhola, acusando os jornalistas de tentarem arranjar problemas no clube merengue, mesmo perante casos de maior dimensão mediática, recorrendo à polémica em torno das infrações financeiras cometidas pelo City e ao abandono de Cristiano Ronaldo em pleno estágio da seleção portuguesa.
"Se isto acontecer, para vocês - não falo de ninguém em particular - será uma grande vitória. Nas últimas semanas, pensava que tinham casos suficientes e reais no mundo do futebol. Mas não foi suficiente... Nem casos gigantes, como o do City, aquela velha história de que vocês não gostam de falar [caso Negreira], nem a situação difícil no meu país, com Cristiano Ronaldo e o seu treinador... Tantos outros casos que podiam alimentar o vosso trabalho, mas não foram suficientes. O Real Madrid é o Real Madrid e há sempre qualquer coisa para tentar retirar", começou por dizer Mourinho.
"O futebol teve este par de semanas e foi uma procura por problemas. Primeiro, a discoteca que não era uma discoteca, mas sim um espaço onde decorreu um evento privado da semana da moda de Paris. Depois, a bicicleta na Suíça, que era simplesmente um hotel composto por pequenas casas. Eram bicicletas para circular entre as zonas comuns de um hotel tranquilo. E parecia que estava a correr a Volta à Suíça", acrescentou, referindo-se ao caso de Mbappé, antes de abordar "casos menores".
"O pobre Huijsen, que estava no carro parado em frente à casa de Pitarch a enviar uma mensagem e passou a ser quase um criminoso que circulava a 200 km/h na autoestrada enquanto escrevia mensagens. É por isso que é ridículo. Bato na madeira, porque futebol é futebol. Vocês só querem histórias. Eu dou-vos uma: é a primeira vez em dez anos que o Real Madrid chega a meados de outubro sem lesionados. Os jogadores que estão lesionados trazem problemas da época passada. Militão, Rodrygo, Asencio, Mendy... É a primeira vez em 10 anos que não temos uma única lesão. É uma boa história, mas não vos interessa", vincou.
Apesar das críticas dirigidas à imprensa, Mourinho defendeu que os jogadores têm de ter cuidados extra durante a pausa, mas afirmou estar descansado perante o comportamento geral do plantel.
"Para mim, um jogador é jogador 24 horas por dia. Tudo o que faça a nível privado, seja algo positivo ou negativo, tem sempre alguma repercussão. Defendo sempre que um jogador é, acima de tudo, um ser humano. Um homem que pode cometer erros, mas que tem de ter sentido de responsabilidade", disse.
"Sinceramente, estou em Espanha há 13 anos. Conhecem-me e sabem que não minto. Posso tentar escapar a uma pergunta, ser inteligente e contornar uma questão mais complicada, mas não minto. A todos os níveis. Se me perguntarem quem vai ser titular, não vos digo. Mas também não vos digo que não vai jogar para depois o colocar em campo", sublinhou.
"Durante este período, os jogadores foram exemplares. Trabalhámos para que tivessem tudo definido, sem dúvidas em relação às seleções e aos períodos de descanso. Estava tudo perfeitamente organizado. Todos cumpriram. Os lesionados regressam imediatamente a Valdebebas. Têm os seus diagnósticos e os planos de recuperação", rematou Mourinho.
O Real Madrid volta a entrar em ação amanhã, sábado, com uma recepção ao Villarreal, numa altura em que já está a cinco pontos do líder Barcelona na La Liga. No próximo dia 25 de Outubro haverá lugar ao El Clásico, em Camp Nou.
