"Há Um Risco Grande, Mas Os Jogadores Têm Confiado..." Beto Pimparel Analisa Era Jorge Jesus

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Portugal está a crescer dentro do ideário futebolístico do novo seleccionador Jorge Jesus, avalia o antigo guarda-redes internacional Beto Pimparel, destacando o compromisso colectivo luso nas três vitórias na primeira volta da fase de grupos da Liga das Nações.


Aopinião é unânime: estão a assimilar rapidamente as ideias do 'míster'. A dificuldade com Jorge Jesus é aplicar muitas ideias em contexto de jogo e há um risco grande, mas, até agora, os atletas têm confiado no processo e isso é importante. Nota-se esse crescimento na equipa, na confiança dos jogadores e no seu bom posicionamento e atitude competitiva, muito à imagem do que o selecionador quer", salientou à agência Lusa o antigo guarda-redes, de 44 anos e com 16 internacionalizações, de 2009 a 2018.


 

Portugal, detentor do troféu, pode aceder no domingo aos quartos de final da Liga das Nações, caso pontue na receção à Noruega, num encontro da quarta e antepenúltima jornada do Grupo A4 da primeira fase, com início às 19:45, no Estádio do Dragão, e sob arbitragem do italiano Maurizio Mariani.


"Em qualquer zona, há uma reação forte e agressiva a tentar recuperar a bola. Vemos muita consistência na parte defensiva e, depois, liberdade e criatividade no ataque. Não me parece que sejam muitas as seleções que vão à Dinamarca marcar quatro golos. Isto é reflexo do que o 'míster' está a dar, ao posicionar os jogadores em terrenos onde eles se sentem mais confortáveis e confiantes e aportam mais à dinâmica da equipa", sustentou.


Uma semana depois da vitória em Oslo (2-1), Portugal, líder isolado, com nove pontos, reencontra a Noruega, terceira classificada, com os mesmos três da Dinamarca, segunda, e do País de Gales, quarto e último, que jogam em simultâneo em Cardiff, na conclusão desta pausa internacional.


"Por parte da Noruega, acredito que seja uma partida na mesma linha da anterior. É uma seleção com cariz físico, mas também técnico. Agora, o que espero de diferente é Portugal a ter mais controlo. Soube sofrer na Noruega, porque também era necessário, mas vai começar a criar o seu próprio ADN de posse, independentemente do adversário", analisou Beto.


Os dois primeiros colocados das quatro 'poules' da Liga A apuram-se para a próxima fase da mais recente prova europeia de seleções, cujo troféu está na posse de Portugal, recordista de êxitos, com dois (2019 e 2025).


"O 'míster' está a realizar o sonho de orientar a seleção do seu país, que tanto ama. A partir do momento em que há entrega e paixão, ele coloca o seu conhecimento, talento e experiência ao serviço de Portugal e isso é transversal aos jogadores, porque tem de haver uma química muito grande entre todos. Parece-me que isso está praticamente a acontecer desde o minuto um e, se esta comunhão for positiva, obviamente que a seleção, que já era de topo mundial, pode dar mais um passo rumo a objetivos se calhar ainda maiores", projetou o vencedor da Liga das Nações em 2019.


A equipa das 'quinas' tentará manter o pleno de triunfos sob orientação de Jorge Jesus, cuja estreia como sucessor do espanhol Roberto Martínez aconteceu frente ao País de Gales (1-0), em 24 de setembro, em Lisboa.


Seguiram-se as deslocações à Noruega e à Dinamarca (4-2), ambas sem o capitão Cristiano Ronaldo, que abandonou, por decisão própria, o estágio da seleção na quarta-feira, na véspera da vitória nacional em Copenhaga.


Em função dos poucos treinos realizados desde o início dos trabalhos, Beto valoriza a repetição do quarteto defensivo nas três partidas para fomentar automatismos e garantir segurança à frente do guarda-redes Diogo Costa.


"É difícil trabalhar em cima dos jogos se estivermos sempre a alterar peças em zonas nevrálgicas, como é a defesa. Se queremos criar rotinas, é preciso insistência e persistência e, não havendo treinos, tem de ser no jogo. Não há espaço nem tempo para grandes alterações num setor que ele privilegia muito. Os jogos podem ganhar-se só à frente, mas os títulos ganham-se de trás para a frente", considerou o antigo internacional.


Beto coincidiu com Jorge Jesus no Sporting em 2016/17 e vê a construção de uma "espinha dorsal" como prioridade para o novo selecionador, que, depois do primeiro ciclo a seguir ao Mundial2026, terá margem para ensaiar outras soluções em novembro se Portugal selar já o apuramento.


"A selecção não pode viver de 12 jogadores e todos têm de estar imbuídos deste espírito e preparados para dar resposta em qualquer momento. É importante entenderem em jogo a ideia que o treinador tem", ressalvou.



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