Francesco Farioli, treinador do FC Porto, concedeu, esta quinta-feira, uma extensa entrevista ao Opta Analyst. Nesta conversa, o técnico italiano recordou o momento da chegada ao clube azul e branco, que aconteceu no verão do ano passado, e a visão ambiciosa que partilhava com o presidente portista, André Villas-Boas.
"Desde o primeiro momento em que falei com o presidente [André Villas-Boas], para mim, a decisão de me juntar ao clube foi clara e, agora, posso dizer, sem dúvida, que foi a decisão certa. Acredito que nos encontrámos num momento muito bom para ambos. Tanto eu como o clube sentíamos o mesmo nível de vontade, o mesmo nível de empenho em mudar as coisas e em adaptarmo-nos para nos entendermos, para trabalharmos bem, para reconstruir e renovar o plantel, e foi isso que tentámos fazer. O mercado do verão passado foi realmente importante, tivemos de contratar jogadores com uma determinada mentalidade, capazes de nos ajudar a colocar o ADN do FC Porto no centro de tudo o que estávamos a fazer", começou por dizer Farioli.
O objetivo de conquistar o campeonato português acabou por surgir e com duas jornadas de antecedência. Na época transata, o FC Porto venceu 28 dos 34 jogos na I Liga e somou apenas duas derrotas.
"O empenho tem de estar a um certo nível, as exigências pessoais têm de ser realmente elevadas e o nosso ambiente tem de ser um ambiente que reconheça e valorize isso, e penso que é por isso que criámos uma ligação muito forte dentro do clube, com a cidade e com aquilo que os adeptos adoram ver. Combinámos o desejo por um determinado estilo de futebol com o que sempre procurei em todos os meus clubes anteriores: quero ter uma equipa de trabalhadores, uma equipa de pessoas que queiram lutar por cada bola em cada jogo, e este tipo de convicção é algo que eu crio - uma química única entre os jogadores, nós, enquanto equipa técnica, o clube e os nossos adeptos", frisou Farioli.
"Na época passada, quando nos reunimos no início de julho e decidimos começar a trabalhar juntos e a preparar-nos para a nova campanha. É claro que ambos queríamos vencer, ambos tínhamos a garra e a vontade de ter sucesso, mesmo sabendo o quão difícil este campeonato pode ser. Na época passada, conquistámos o título com duas jornadas de antecedência, mas neste campeonato é preciso vencer muitos jogos para nos colocarmos em posição de sermos campeões", recordou o treinador italiano.
Para que a equipa não se sentasse à sombra da bananeira depois da conquista do título de campeão na época transata, Farioli tomou uma iniciativa diferente e revelou ter colocado uma imagem simbólica no CTFD Jorge Costa, no Olival.
"Infelizmente, as boas memórias [da época passada] já estão muito longe da nossa realidade. Todos regressámos no verão com o ânimo renovado, com vontade de recomeçar. À entrada do nosso centro de treinos, quis colocar uma fotografia das nossas comemorações do título, dividida em duas partes. Assim, uma metade é os Aliados, onde celebrámos o nosso título, e a outra metade está vazia, porque queria que ficasse claro para todos que, claro, vimos de uma época com memórias muito boas, mas assim que entrarmos no edifício, vai ser escrita uma nova história com novas dificuldades e novos desafios", destacou o timoneiro do FC Porto.
"Podemos recomeçar com a mesma fome e o mesmo desejo, com os mesmos padrões que estabelecemos no ano anterior e com o nível de expectativa que todos temos. Todos os jogadores regressaram das férias de verão ainda mais em forma do que quando partiram. Na realidade, nos 25 ou 30 dias de folga que tiveram, é claro que tiveram tempo para passar momentos com as suas famílias, mas muitos deles suaram mesmo durante o verão para estarem ainda mais preparados para enfrentar uma época em que, no campeonato, partimos do zero mais uma vez; vamos enfrentar novas exigências numa competição diferente como a Liga dos Campeões e, claro, as duas taças nacionais, para além da Supertaça que ganhámos em agosto", finalizou.
