André Villas-Boas, presidente do FC Porto, explicou, esta sexta-feira, as contas do FC Porto, que registaram um prejuízo de 26,3 milhões de euros no exercício financeiro de 2025/26.
"Há diferentes análises. Fosse a transferência do Rodrigo Mora consumada antes de 30 de junho, este resultado seria positivo. Há diferentes perspetivas e a perceção das pessoas seria ainda mais positiva, tivesse essa venda sido executada antes desse período. Essa venda não entra para esse exercício, por isso é negativo na ordem dos 21 milhões de euros. Tivesse o FC Porto feito qualquer venda de um jogador formado aqui por cerca de 21 milhões de euros e este resultado líquido seria zero. São diferentes perspetivas. O mercado até 30 de junho em ano de Mundial é um mercado em que as equipas atuam pouco, ou com poucas certezas. Deu-se esta conclusão a 30 de junho, mas nem os clubes detentores de determinados talentos querem executar as vendas demasiado cedo. Os três grandes portugueses estão obrigados a vender para equilibrar as contas, faz parte das receitas principais destes clubes, e dessa forma aguentamos o mercado e o talento. Temos hoje talento espalhado por todo o plantel principal que, quando houver renovação futura do plantel, vai resultar em resultados financeiros ainda mais positivos", começou por dizer Villas-Boas, na apresentação do relatório e contas do clube azul e branco.
"oi uma aposta na construção de um plantel valioso, com um investimento forte, tal como prometemos quando apresentámos o treinador Francesco Farioli, na altura dissemos até que seria o maior mercado de sempre do Clube. O facto de o FC Porto ter investido 120 milhões de euros numa época é o reflexo dessa aposta na renovação de uma equipa que tem talento e profundidade em todas as posições. ueremos continuar a construir sucesso desportivo baseado neste plantel, sabendo que as receitas financeiras que advêm de transferências de jogadores são fundamentais para a sustentabilidade dos clubes portugueses. Somos obrigados sempre a estar na Liga dos Campeões e a operar no mercado todos os verões e invernos, quando os mercados abrem", vincou.
"Há uma nota que gostava de deixar em relação ao crescimento de todas as outras linhas, que tem que ver com a parte comercial, de bilhética e de merchandising. A mesma não pode estar desvinculada do que é o crescimento associativo do FC Porto, e sobretudo da entrega dos sócios a esta dinâmica que se sente à volta do Clube. Temos longas listas de espera para os Lugares Anuais, uma procura enorme para ter acesso a bilhetes para jogos do FC Porto que se traduz em quase 92 ou 93% de ocupação do estádio, portanto há toda uma nova dinâmica à volta do Clube que é positiva e temos de estar muito gratos aos sócios", acrescentou.
Questionado se o Mundial2026 acabou por ter impacto direto nas contas do FC Porto, o líder máximo dos dragões apontou para uma agitação do mercado de verão mais tardia do que o normal.
"A agitação do mercado deu-se mais tarde, como todos puderam ver, nas últimas duas semanas, portanto é aí que as grandes transações acontecem. O FC Porto fez o inverso, recebeu propostas, aguentou os jogadores que tem. Temos neste momento o jogador jovem mais valioso da Primeira Liga e o jogador mais valioso também. Tudo isto são coisas que nos orgulham. É claro que estes jogadores sonham com o crescimento da sua carreira, com outras ligas, e é aí que haverá tradução em rendimento financeiro. Nesta fase, a aposta continua no aspeto desportivo, em trazer títulos para esta casa. O título de Campeão Nacional fugiu-nos durante quatro anos, para qualquer portista é um deserto essa ausência de títulos. Recuperá-lo era uma obrigação e agora manter o FC Porto no primeiro lugar é a nossa responsabilidade, principalmente tendo em conta os ativos que temos dentro deste plantel e que queremos que nos deem esse sucesso", sublinhou.
Confrontado se o FC Porto estará, assim, pressionado a vender jogadores no mercado de inverno, em janeiro, André Villas-Boas descartou esse cenário.
"Para já ainda não. A projecção é boa para o fecho de 2026/27. As perspectivas são boas, principalmente tendo em conta que uma das vendas já aconteceu, que é a de Rodrigo Mora, como vocês sabem, e depois tudo o que está relacionado com a entrada na Liga dos Campeões e com esta perspectiva que já foi dada pelo José Pedro Pereira da Costa relativamente ao crescimento de todas as áreas comerciais. Portanto, os indicadores são bons. Também vos acabei de dizer, precisamente, que os três grandes no futebol português não operam sem vender e não nos podemos desligar disso para o equilíbrio financeiro. Portanto, se é possível que o mesmo aconteça, é possível. Cabe ao FC Porto depois gerar sempre um novo talento, sabendo de antemão que, neste momento, há uma profundidade enorme de plantel que nos dá máximas garantias", rematou.
