A Federação Egípcia de Futebol (EFA) apontou o dedo, esta quarta-feira, à FIFA e à equipa de arbitragem do jogo frente à Argentina (2-3), ocorrido na terça-feira, e no qual acabaram derrotados e eliminados do Mundial2026. Na origem da insatisfação da seleção do Egito estão várias decisões do árbitro francês Francois Letexier, nomeadamente no lance do terceiro golo argentino.
"A Federação Egípcia de Futebol não pode permanecer em silêncio perante as decisões de arbitragem verificadas no encontro frente à Argentina, bem como perante a inadequada utilização do sistema de videoárbitro (VAR). Vários lances decisivos suscitaram sérias dúvidas e levantaram profundas questões quanto à coerência e imparcialidade de decisões que influenciaram diretamente o rumo da partida", pode ler-se na nota oficial, que prossegue.
"Diversos especialistas e analistas de futebol, tanto no Egito como a nível internacional, assinalaram vários episódios polémicos e determinantes relacionados com a arbitragem desse encontro. Tal reforça a necessidade de assegurar os mais elevados padrões de integridade, justiça e transparência na arbitragem, sobretudo numa competição com a dimensão e importância do Mundial2026", vincou a Federação.
A EFA admitiu, ainda, a existência de uma "profunda frustração" entre os jogadores e pediu que "todas as seleções compitam em igualdade de circunstâncias e sejam tratadas de forma equitativa".
"Defender os direitos e os interesses da seleção nacional do Egito não é uma questão que possa ser ignorada, desvalorizada ou tratada como secundária. É uma responsabilidade que assumimos com total convicção e determinação. Todos os jogadores que envergam a camisola do Egito, bem como todos os adeptos que apoiam a equipa, merecem justiça, respeito e a aplicação imparcial das leis do jogo", concluiu a EFA.
"O resultado foi influenciado"
Esta posição da EFA acaba por surgir em forma de resposta coletiva àquilo que os jogadores expressaram após o encontro dos oitavos de final. Hossam Hassan, selecionador do Egito, já havia expressado total irritação com a equipa de arbitragem, acusando Letexier de "esconder alguma coisa".
"Vou dizer o que me vai na alma, independentemente das consequências: isto foi claramente um jogo comprado e o mundo inteiro viu. Fomos melhores. O que se passou não foi nem justo nem equitativo. O resultado foi influenciado por fatores internos no relvado e durante o jogo, e por fatores externos anteriores ao encontro. Parecia ter havido pressão por parte da Argentina sobre o árbitro, o que conduziu a este desfecho. Nós tínhamos expressado as nossas objeções a este árbitro", atirou, antes de abordar o lance do terceiro golo da Argentina, apontado por Enzo Fernández, reclamando uma falta anterior na grande área adversária.
"Nem sequer houve revisão do VAR, todos vimos como lhe puxavam a camisola, mas não se reverteu a jogada para anular o golo. É assim a vida, injusta. Merecíamos a vitória, (...) creio que o impacto deste resultado vai muito para além da derrota em si, porque não vimos nem respeito nem fair-play", argumentou Hassan, antes de encerrar com novo 'ataque' ao árbitro.
"Pensava que talvez ele [árbitro François Letexier] escondesse alguma coisa, que talvez tivesse algo a ocultar. Quem tem algo a ocultar, por vezes, não consegue escondê-lo totalmente, e foi exatamente isso que senti durante aquela conversa", rematou Hossam Hassan.
