Ruben Amorim é o nome mais badalado do desporto inglês, esta segunda-feira, depois de ter sido demitido do comando técnico da equipa principal do Manchester United, pouco mais de um ano depois de ter sido adquirido ao Sporting, a troco de uma verba na ordem dos 11 milhões de euros.
Aos poucos, vão-se tornando públicos detalhes dos motivos que levaram à (súbita) decisão da direção dos red devils. O jornal britânico Daily Mail alega que, na base desta, terá estado a sensação de que o treinador português tinha perdido, de uma vez por todas, o controlo do balneário, na sequência das 'mexidas' que levou a cabo no sistema tático, ao longo das últimas semanas.
Fiel ao 3x4x3 que tanto sucesso teve, em Alvalade (onde conquistou três títulos de campeão nacional, três Taças da Liga, uma Taça de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira), o ribatejano surpreendeu tudo e todos quando, no passado dia 26 de dezembro, fez a equipa assentar num 4x2x3x1, perante o Newcastle.
Por entre sinais positivos e também algum sofrimento, a verdade é que esta conseguiu 'resgatar' um triunfo, por 1-0, graças a um golo da autoria de Patrick Dorgu, à passagem dos 24 minutos. No entanto, ao contrário do que seria de esperar, a verdade é que o regresso à fórmula original não tardou.
Nos dias seguintes, o plantel Manchester United trabalhou sobre este 4x2x31, pelo que terá sido apanhado de surpresa, três dias depois, quando, na véspera da recepção ao Wolverhampton (que culminaria num empate a uma bola, em Old Trafford), o timoneiro comunicou que o plano passava por voltar ao 3x4x3.
"Ele estava a balbuciar, enquanto lhes tentava explicar. Os jogadores ficaram com a sensação de que ele não tinha tudo sob controlo. Ele parecia cheio de dúvidas sobre si mesmo e bastante inseguro", confidenciou uma fonte próxima do balneário, que optou, no entanto, por manter o anonimato.
Tentativas de "coação" caíram mal
A mesma fonte acrescenta que, face a esta circunstância, a estrutura do Manchester United terá procurado "coagir" Ruben Amorim no sentido de este abdicar, de uma vez por todas, do 'seu' 3x4x3, para apostar num sistema tático no qual os jogadores que tem à disposição se sentissem mais confortáveis.
No entanto, pode ler-se, o treinador português terá começado a reagir a estas investidas de "uma maneira cada vez mais emotiva", tendo tudo 'descambado' na conferência de imprensa que se seguiu ao empate a uma bola com o Leeds United, no passado domingo, na qual 'atacou' mesmo a própria direção.
"Eu sei que vocês [jornalistas] recebem informação seletiva sobre tudo. Eu vim aqui para ser o manager [treinador-gestor com uma influência mais abrangente] do Manchester United, não para ser treinador. Isso é claro", começou por afirmar, numa tirada que acabou por deixar os jornalistas presentes atónitos."
"Eu sei que o meu nome não é Conte, Mourinho ou Tuchel, mas sou o manager do Manchester United e assim vou continuar a ser por mais 18 meses ou até quando a direção decidir mudar. Portanto, é esse o meu ponto e vou finalizar isso. Não vou desistir. Vou fazer o meu trabalho até que outra pessoa ocupe o meu lugar", prosseguiu.
"Vou ser o manager desta equipa, não apenas o treinador principal. Fui muito claro. Isto vai acabar dentro de 18 meses e toda a gente vai seguir em frente. Esse foi o acordo e o meu trabalho não é ser só treinador. Se as pessoas não sabem lidar com Gary Neville ou qualquer outro crítico, temos de mudar o clube", completou.
